Crónicas de tudo e de nada: Quero os meus abraços de volta

Tempos avassaladores estes em que vivemos. Uma epidemia que rapidamente explodiu para pandemia e que nos deixou a todos – sem escolher idade, cor de pele, credo, sexo, estatuto social – literalmente de cócoras.
Apanhados de surpresa porque “estas coisas só acontecem aos outros” em lugares distantes e em países “subdesenvolvidos” onde não conhecemos ninguém, não entendemos nada do que se estava a passar, não percebemos como nos caiu esta praga em cima, não queríamos acreditar na sua violência nem nos resultados catastróficos de que alguns já falavam.
E contudo … de repente… as nossas vidas mudaram radicalmente. Um vírus desconhecido roubou-nos tudo o que tínhamos por garantido: as crianças e jovens deixaram de ir à escola, os pais deixaram de trabalhar, os hospitais dedicaram-se em exclusivo à luta contra a pandemia, o comércio fechou, os serviços públicos hibernaram. Vivemos ao compasso de recomendações que vão sendo alteradas consoante as circunstâncias e as estatísticas. Somos números: os infectados, os internados nos cuidados intensivos, os mortos.
E todos ficámos mais sós…
As famílias isolaram-se, os beijos e os abraços foram proibidos, os idosos ficaram na redoma, os mortos partiram de forma ainda mais solitária. Não houve aniversários, nem casamentos, nem festas de família. E pior ainda, não houve a possibilidade de confortarmos familiares e amigos quando perdemos um ente querido. Não pode haver maior solidão do que esta!
A tecnologia ajudou-nos a encurtar as distâncias mas não na medida das nossas necessidades afectivas. O recomeço é estranho – cheio de reticências; o futuro é incerto – cheio de medos; e o medo rouba-nos a liberdade, o que nos trava o recomeço…
Pessoalmente, recuso-me a aceitar que estou num beco sem saída, luto para não deixar esmorecer a esperança de que isto vai passar, mas para isso preciso urgentemente do bulício da minha vida, tenho necessidade absoluta da proximidade da minha gente e quero JÁ os meus abraços de volta!
Pronto! Desabafei!

 

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