Crónicas de tudo e de nada: Uma aventura no Centro de Saúde

Desde que o lockdown terminou, as lojas abriram, as pessoas retomaram o trabalho, os restaurantes e bares começaram aos poucos a ficar apinhados de gente, os ginásios e clínicas de fisioterapia, embora com condicionamentos, estão de novo a fazer-nos suar, tudo levava a crer que os Centros de Saúde retomassem também alguma funcionalidade… Mas parece que não. Pelo menos não em Buarcos.

Sou utente deste Centro desde que ele existe e tenho que dizer que, provavelmente graças ao excelente Médico de Família que tive até há pouco tempo, não tenho razões de queixa. Mas na 4ª feira passada estive numa fila entre as 10h40 e as 12h35. É verdade! Quase duas horas, de pé e ao sol (bom!... à chuva não teria sido melhor…) para ir levantar umas credenciais que tinham sido pedidas no fim de Junho, depois de ter estado numa fila semelhante.

Porquê? Pois! Boa pergunta!
Poderá ser porque o pessoal não abunda…mas nunca abundou! Ou talvez seja porque está tudo muito cansado, a precisar de férias e sem paciência para aturar gente que não entende as inentendíveis justificações que tentam dar sempre que alguém se queixa. Ou… quem sabe…talvez seja apenas por falta de organização do trabalho. Se não vejamos: há uma entrada específica para doentes COVID, que imagino tenham uma pessoa a atender, mas que felizmente não tem clientes nenhuns. Há uma outra fila para as vacinas das crianças, atendida por uma senhora que entra e sai com grande rapidez, as criancinhas entram, choram como lhes compete, saem felizes e vão à vida delas. E depois há a outra fila! Aquela em que se acumulam pessoas que são tratadas por médicos vários e mesmo aquelas que neste momento não têm médico, como é o meu caso; utentes que querem “só fazer uma pergunta”, gente que vai pedir ou levantar receitas médicas, malta que tem dores nos mais variados sítios, almas que vão pedir credenciais para exames ou levantar as que já pediram anteriormente, pacientes que continuam à espera de poder marcar uma consulta com o seu médico.
E tudo isto com apenas uma funcionária a atender. A senhora vem à porta e pergunta ao primeiro da fila o que deseja (curiosamente, seja o que fôr que o utente deseje é quase certo que a funcionária não lhe pode dar, ou porque não sabe – isso quem sabe é o médico –, ou porque não pode responder, ou porque não tem tempo para ir procurar papéis!). Atende a primeira pessoa, toma nota do assunto, pede elementos e vai para dentro. Esperamos 20 minutos. Regressa. Com sorte, talvez traga o que a primeira pessoa da fila pediu…ou talvez não… (porque o médico não deixou nada, porque o sistema não está a funcionar, porque afinal aquele assunto devia ser tratado na entrada do outro lado). E passa à 2ª pessoa, que por acaso já foi ultrapassada pela 15ª que “só queria fazer uma perguntinha”. Mas afinal a perguntinha precisa de pesquisa e a funcionária vai à procura da resposta e demora mais 10 minutos enquanto a cliente seguinte continua à espera. Num gesto de boa vontade a funcionária tenta recolher informação de duas ou três pessoas para não “andar para traz e para diante”, mas caem-lhe em cima quatro ou cinco, cansadas de esperar, e ela põe o pessoal na ordem com um grito estridente de “cada um na sua vez. Eu não posso fazer tudo ao mesmo tempo”. E demora mais 30 minutos até reaparecer...
E assim, indefinidamente…

Entretanto na fila que teima em não diminuir, o pessoal pragueja dentro da máscara, abana-se com os papéis que deveria entregar, senta-se no chão, encosta-se às paredes, coça a cabeça… mas quando chega a nossa vez o alívio é tão, mas tão grande que já nem nos apetece reclamar…

 

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