Dai-me!

Dai-me o azul sem fim e as asas da fantasia para o rasgar; dai-me o mar do amar, quero nele nadar em mim. Dai-me baloiços, recreios e risadas, joelhos esfolados, bolhas de sabão lançadas ao ar, gomas, chupas coloridos nas mãos, bolas, golos, chuteiras desapertadas, fintas tremidas às rasteiras da vida; dai-me vento muito forte, papel às cores, cola e barbantes para acontecer os papagaios de papel para o menino que persiste em mim se libertar com eles nos voos cruzados, volteados, virados e secantes nas ventanias frias e corridas do norte para o sul. Dai-me do sol radioso e brilhante nos tons do amanhecer creme ao amarelo forte no pino; dai-me do amor os afagos treme treme, tantos quantos dias têm as bodas de diamante. Da selva verde, dai-me gnomos e fadas, os seus aromas, as fantasias dos folhedos verdes farfalhados, e os cantos dos pássaros neles baloiçados; da selva amada dai-me as lágrimas do alto das copas pingadas em grossas gotas; mas meu Deus, se me quiseres ver feliz, se me quiseres ver de veras feliz, dai-me novamente a inocência da criança que fui e, dai-me também o olhar crédulo com que percorria os dias e, dai-me também os olhos cerrados que recolhiam serenamente num só sono as noites inteiras dentro de mim tão pequenino.

Figueira da Foz, 15 de Abril de 2023.
Este texto foi escrito segundo a ortografia anterior ao actual (Des) Acordo Ortográfico.
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