Dubai: uns dias sem guerra nem Covid

Neste 2022, onde parece que só falta mesmo a ameaça de um meteorito em rota de colisão com a Terra para tornar tudo mais surreal, uma escapadela ao Dubai acabou por ser o que precisava para sentir de novo a tão aclamada “normalidade”.
Bem sei que foi uma viagem em trabalho, mas deu tempo para absorver um pouco da cultura e voltar a ser turista por uns dias. Entre o mundo tecnológico das criptomoedas, aos prédios do “outro mundo”, o Dubai surpreende pela positiva.
Senti-me até um pouco em casa, não sei se por aquele ar quente me ter sido tão familiar, tão parecido com o ar respirado em Malta, ou pelo centro comercial a lembrar o estilo europeu.
Esta mistura do exótico com o “conhecido” torna-nos uma espécie de exploradores, sem contudo sentirmos aquela ansiedade por estarmos totalmente fora da nossa zona de conforto.
Vamos então por partes: negócios. Algo que chamou logo a atenção foi que alguns participantes
da conferência chegaram de helicóptero. Penso que conseguem imaginar a quantidade de pó extra que lá tive de inalar, mas sem dúvida algo inédito em todas as conferências em que já participei.
Ora crypto está associado ao mundo de Igaming, onde casinos têm plataformas de pagamento para os jogadores depositarem os seus fundos em criptomoedas. Só houve um pequeno problema: a palavra “Igaming” foi proibida de ser dita ou promovida em reuniões com potenciais clientes. Isto porque a religião oficial do país é o Islão, e o mundo das apostas não é legal para estes. Claro que havia sempre alternativas linguísticas ao abordar o assunto, não estivéssemos sempre nós prontos a nos adaptar a novas realidades.
E depois, ao fim do dia, tempo para as extravagâncias. Uma viagem de cinco minutos de táxi levou-me até ao Dubai Mall. A um primeiro relance não é muito diferente dos nossos centros comercias. Até que chegamos a um aquário com tubarões, onde podemos descer numa espécie de jaula e confraternizar de perto com estes seres. Não é para mim confesso, porque sou da geração do filme “Tubarão”, que nos ensinou a ter muito respeitinho por este animal.
Mais à frente podemos sair para o exterior, para uma pequena ponte que nos leva a uma área com restaurantes. Com o pequeno pormenor de ao nosso lado se encontrar o Burj Khalifa, o maior edifício do mundo. Não consegui olhar para o topo por muito mais do que meros cinco segundos de cada vez, pois ficava com tonturas, tal era a inclinação que tinha de fazer.
E claro, entre o Burj Khalifa e a ponte, a cada trinta minutos, podemos assistir a uma dança sincronizada ao som de música da Céline Dion, enquanto o Burj Khalifa sincroniza centenas de luzes e eu fico a pensar que o ser humano realmente é capaz de construir coisas extraordinárias e belas, e não só armas que nos podem aniquilar.
Depois de meses e meses com medo de dar um beijo ou um abraço devido à Covid, depois de semanas a tentar compreender esta nova realidade da guerra, o Dubai é exactamente aquilo de que precisamos: uma lufada de ar fresco que nos faz voltar a sentir vivos outra vez.

(Diana de Carvalho)

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