Eleições positivas

Portugal em Setembro 2021 vai ter de passar por um momento chave para o processo democrático do país, num dos contextos mais exigentes nesta ainda recente viagem pela democracia.
Falo das eleições autárquicas em que os candidatos terão que passar as mensagens da forma mais clara possível num curto espaço de tempo. Terão de ser claros na mensagem que passam, sem a proximidade habitual existente nas campanhas anteriores, numa fase em que as redes sociais substituem órgãos de comunicação social e as mensagens são transmitidas sem rosto, sem o olhar nos olhos, sem noção do impacto que as mesmas produzem.
Os eleitores deverão captar a informação da melhor forma possível, lidando com as suas expectativas e a melhor informação disponível.
A Covid-19 lembrou-nos que é difícil dar um abraço com distanciamento social, mas muito fácil transmitir ódio à distância, permitindo que emergisse com uma rapidez incontrolável o Ciberbullying, as Fake News e a desinformação.
O Cyberbullying, cada vez mais frequente, consiste no uso da tecnologia para assediar, ameaçar, provocar, humilhar ou embaraçar alguém, de forma repetitiva e intencional.
Enviar mensagens cruéis, fazer um post insultando alguém, criar uma página falsa em nome de alguém ou lançar boatos sobre uma pessoa, publicar uma imagem ou um vídeo desrespeitoso nas redes sociais, são exemplos de ciberbullying.
O cyberbullying não requer força física e não implica um contacto cara-a-cara, o ciberbullying pode ser particularmente nefasto e perturbador porque é muitas vezes anónimo e difícil de controlar. A vítima pode não saber de onde vieram as mensagens ou posts, nem quantas pessoas já os viram.
As Fake news e a desinformação têm um impacto profundo com consequências políticas, económicas, sociais e ambientais. Alguns estudos mostraram que as mentiras se espalham mais rápido do que a verdade, verificou-se que há uma maior probabilidade de as pessoas partilharem o que é falso do que aquilo que é verdadeiro.
Em parte, as pessoas acreditam em notícias falsas porque são seres sociais. Acreditar no que as outras pessoas nos dizem e ter a capacidade de confiar nos outros são competências universais do ser humano.
As fake news e teorias da conspiração emergem especialmente durante tempos de incerteza, apresentando-se através de explicações simplistas sobre as situações.
Deparamo-nos, diariamente, com uma tarefa cada vez mais exigente: saber no que acreditar e que informação rejeitar. A tecnologia acelerou a disseminação de informação para o bem e para o mal. Através das redes sociais, qualquer pessoa pode dizer o que quiser, onde quiser e chegar a toda a gente no mundo.
Será importante, por todo o país existir uma comunicação proativa por parte dos candidatos às eleições, uma comunicação repleta de mensagens positivas que permitam que os eleitores captem a essência dos valores dos diferentes candidatos e as respetivas  medidas que eles representam.
É muito comum nas eleições autárquicas o eleitor fazer as suas escolhas em função da proximidade física ou empatia pelos valores de terminado candidato, mais do que pela força política que este representa.
Parece-nos importante que o discurso seja direcionado para medidas que tragam o bem estar pessoal e social, justiça, igualdade e obviamente uma recuperação e alavancagem económica como motor de todos os processos de paz social.
Dos eleitores será sempre desejável o respeito pelas diferenças de opiniões e participação ativa. Esta participação ativa reflete-se na capacidade de expressar as necessidades e possíveis soluções, dialogar com os seus candidatos, ouvir propostas, entender as mensagens e votar em consciência nos valores e propostas do seu candidato.
Será importante aproveitar estas eleições para criar algo bom para todos com a ajuda de muitos.

Paulo Cunha (Presidente da Delegação Regional do Centro da Ordem dos Psicólogos Portugueses)

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