Ensarilhei o tempo

Disse ao vento que as gotas a cair eram do sol a transpirar.
O vento sempre solícito, soprou mais e ainda mais fresco, julgando assim agradar ao encalorado sol.
- Que frio! - protestou o sol.
A chuva, como sempre, encharcada de má disposição, retorquiu com uma saraivada enregelada e oblíqua por causa do vento cada vez mais frio e forte.
O Outono sentiu-se enxovalhado pelos estragos causados pela queda forte do granizo invernal caído a destempo e, descompôs o Inverno por se intrometer sem licença na sua época quase sempre ventosa.
O Inverno brigão, não é estação para engolir desaforos e chamou morno e indolente ao Verão.
Imprevidente e nada apaziguadora, a amena Primavera bradou, não me atirem com as culpas, porque na minha estação não autorizo chuvas fortes, calor em demasia, nem ventos corridos e, muito menos permito o despauterado granizo.
Estalou o verniz entre as estações e, o tempo perdeu completamente a sua compostura, só porque eu preguei uma petazinha ao ingénuo vento.
Por aqui vemos o poder duma mentirinha. Não há mentiras inócuas, por mais "piadosas" ou piedosas que pretendam ser.
Walter Ramalhete.
Figueira da Foz, 12 de Setembro de 2022.
Este texto foi escrito nos termos ortográficos anteriores ao actual (Des) Acordo Ortográfico.
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