Fala-me de ti!

- O que é que os meus olhos vêem? - roí-te a curiosidade?
- Vêem poesia nas gotas da chuva,
vêem sons onde muitos nada conseguem ouvir.
- O que é que eu faço mudo e em silêncio?
- O meu silêncio é maior do que eu, é quase o meu mundo todo,
o meu silêncio é harmonioso,
é também ruidoso e barulhento,
é maravilhoso e cacofónico.
- O que é que eu sinto?
- Sinto muito, muito, muito, sinto até demais…,
sinto mais do que aquilo que se pode sentir
com os comuns e insuficientes cinco sentidos.
Em mim,
os cinco conhecidos convivem baralhados e misturados com muitos outros mais.
Estes e os muitos outros mais…,
misturam-se como as cores na paleta do pintor.
Então misturados,
muitas outras infinitas sentidas cores
e fantasias me dão,
eles .dão-me fantasias coloridas
cheias de delicados e saborosos aromas e paladares.
Essas sentidas fantasias, como rios cheios e mares revoltos
transbordam com o movimento das águas:
azuis,
verdes e cinzentas
quando não frias…, quentes!
O meu silencio quando em modo vento,
gira fortes gargalhadas e
roça-se farfalhudo e feliz no meu corpo cansado.
- Tudo isso? Tanto assim em ti?
- Em mim?!!
- Até o sol se faz sombra e
brinca às escondidas atrás das montanhas e no meio do arvoredo,
assustando com a sua graça o s passarinhos e
as despreocupadas e crédulas criancinhas.
- Em mim,
o mar marulha azuis,
verdes e cinzentos
tanto brilhantes como baços,
marulha ondas gulosas,
irrequietas,
transbordantes de melodias dançantes ao ritmo de alucinantes e irrepetíveis acordes
de notas de divinal sabor.
- Em mim,
Todos os sentidos e os outros mais são confundidos e baralhados,
são multiplicados e divididos ,
são somados a tudo e a nada subtraídos.
As flores são pintadas com pasteis de mel,
e cheiram a rosas verdes,
e sabem a tulipas maduras,
e gracejam sem sentido como as orquídeas joviais,
e as margaridas muito puras,
brancas ou amarelas,
beijam-me-por-muito-bem-me-quererem.
Elas são-me todas muito bem-vindas no “círculo-íris” envolvente do meu mundo.
- Consegues perceber-me?
- Sim, claro que sim!
- Sinto, sinto que consigo perceber-te nesse doce desatino
tão belo…,
dá-me! Dá-me, dá-me, dá-me!
Também quero!

* Este texto, foi escrito segundo os termos da ortografia anterior ao recente (des)Acordo Ortográfico.
“Copyright 2016 Walter Ramalhete. Todos os direitos reservados.”

COMENTÁRIOS

ou registe-se gratuitamente para comentar.
Critérios de publicação
Caracteres restantes: 500

mais

QUEM SOMOS

O «Figueira Na Hora» é um órgão de comunicação social devidamente registado na ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). Encontra-se em pleno funcionamento desde abril de 2013, tendo como ponto fulcral da sua actividade as plataformas digitais e redes sociais na Internet.

CONTACTOS

967 249 166 (redacção)

geral@figueiranahora.com

design by ID PORTUGAL