Para onde foste?

- Para onde foste? Diz-me, por favor! Deixei de te sentir. Abandonaste-me? Sinto tanto frio. É tão triste o vazio que me fica sem ti. O sol ficou sem brilho e a noite escureceu sem estrelas. O mar está quieto, nem as ondas se mostram. Não te sinto! Não te sinto! Para onde foste?
- Apagaste as estrelas? Não as vejo! Queima-me o frio. Estou perdido no meio destas letras. Elas também chamam por ti. Elas também não te sentem e também nada sabem de ti, nem sabem para onde foste. Sufoca-me o ar triste e vazio. Está muito escura a noite - Porque é que levaste também as estrelas? Roubaste-mas todas! Foi por maldade que as levaste contigo?
Sem elas perdi o Norte e também o Sul. Não tenho a Polar, nem o Cruzeiro para me guiarem, estou completamente perdido de mim e também de ti neste negrume que causaste no firmamento. Tenho a alma gelada. O abandono é frio. Grito por ti. Sou devastado pelas ventanias da solidão. O sol já não brilha aqui. Chamo-te, grito o teu nome na noite escura e fria, mas nem o eco me responde. - Para onde foste?
Certamente foste para muito longe, porque deixei de sentir o teu cheiro. Perdi a memória da tua respiração ofegante e desejosa por mim. Perdi a memória das tuas mãos, já nem sei se eram quentes ou se eram frias. - Para onde foste?
Ontem o sol apareceu triste, frio e sem brilho. Nunca me sorriu e eu, por cobardia, nada lhe perguntei, nada ousei. O mar também estava comprometido. Ela não conseguia disfarçar tanta tristeza. As suas águas não baloiçavam, pareciam vazias, pareciam mortas. Era notória a sua depressiva indolência. Roubaste-lhes a alegria e a beleza. - Porquê? Para quê? Para onde foste?
Só o vento vadio e irrequieto cirandava por aí e só ele sabe onde te encontrar, porque ele é igual a ti. É volúvel, é falso, é mentiroso e nada dado a compromissos, é por isso que com facilidade vocês se encontram e facilmente se entendem – Vocês merecem-se!
- Para onde foste? Diz-me, por favor!

Figueira da Foz, 26 de Setembro de 2021.

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