Procuro-me ou não me procuro?

Temo procurar-me, cada vez mais, com medo de me encontrar, por ter de procurar-me naquela parte louca de mim que ainda me falta conhecer, naquela parte de mim em que ainda me falta descobrir a loucura de mim inteira nesse vazio que tanto me inquieta.
Sei que é daí que me vem todo este desassossego. Temo-o. Vejo-me a rodar à beira do fosso profundo e perigoso de mim. Apavora-me cair nele e de lá nunca mais querer sair, porque já vi outros que nesse poço caíram e por lá ficaram felizes com o que de si encontraram.
Será que se completaram por lá? - interrogo-me permanentemente!
Mas, também vi muitos outros que regressaram de lá muito mais infelizmente despertos e que são agora ainda mais conscientemente infelizes cá retornados.
Lá no fundo profundo de mim há o negro negro, há o negro tudo tudo fundo de mim claramente, há o negro escuro e o outro menos negro muito iluminado onde se juntam a dança e a contradança em que giro a minha vida plenamente, por isso, em mim assim incompleto, gira o grande medo de me vir realmente a conhecer.
Também sei que não me conhecerei sem me mergulhar no poço negro de mim mesmo, portanto, nessa angústia desfolho indeciso este bem-me-quer-mal, este malmequer só porque assim não me quero, e este bem-me-quero-bem porque não quero viver tresloucado nesta normalidade incompleta da loucura completa que muito mais são me tornará.
Procuro-me ou não me procuro? - interrogo-me apavorado.

 

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