Que me perdoem, mas…

No verão gosto do sol inclemente,//
gosto das minissaias ousadas,//
das praias cheias de gente//
e adoro os beijos da lua descarada.//
Que me perdoem, mas…
Gosto de ver as criancinhas a chapinhar…//
gosto de escutar a relva a arfar com o calor,//
de seguir os corpos bronzeados a caminhar//
e a derramarem as negaças do amor.//
Que me perdoem, mas…
Nem o outono, nem o triste inverno,//
cobertos de roupas grossas me tornam feliz.//
Se o verão me é paraíso, a seguir é inferno.//
Dói-me ver o baloiço enregelado e infeliz.//
Que me perdoem, mas…
Não me animam cinzentos, nem nublados dias,//
antes exulto com gritinhos e saltinhos.//
Deleito-me com os trinados das cotovias//
e com os quá-quá amarelos dos patinhos.//
Que me perdoem, mas…
Gosto de madrugar-me no sol a espreitar.//
Gosto de sentir o bebé agarrado à minha mão.//
Gosto de ouvir a alegria da alegria a chorar.//
Gosto, mas gosto mesmo muito do verão!//

Figueira da Foz, 1 de Setembro de 2021.
* Este texto, foi escrito segundo os termos da ortografia anterior ao recente (des)Acordo Ortográfico.
“Copyright 2016 Walter Ramalhete. Todos os direitos reservados.”

 

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