Será mesmo Natal?

As ruas da cidade onde vivo - reparem que não disse as ruas da minha cidade - foram invadidas por cânticos natalícios (Rapapapam! Rapapapam!) e estão decoradas com milhares de luzinhas que piscam como olhos sedutores e enganadores, pois, o Natal transformou-se numa farsa comercial (Rapapapam! Rapapapam!)
Nessas ruas circulam luxuosos caros pranhos de condutores anafados de soberba indiferença, agasalhados com casacos de pele cega, caríssima e de triste e indiferente egoísmo.
A pé, lentamente, rente às paredes, mal agasalhados, trânsidos de frio de tudo e tentando esconder a indigna miséria que os vai matando lentamente, caminham os desvalidos sobrecarregados com uma culpa que, a existir, não é apenas deles, mas... é Natal (Paz aos homens de boa vontade, Rapapapam! Rapapapam!)
Forço a minha memória e constacto que sempre foi assim. No tocante ao Natal e no tocante à essência humana estavas enganado Luís Vaz de Camões, porque...mudaram-se os tempos, mas não se mudaram as vontades, pelo contrário, exacerbaram-se as más vontades! (Rapapapam! Rapapapam!)
Se me fosse dado pedir umas prendinhas, pediria: um novo perfume para o coração da humanidade; uma nova mentalidade para os governantes; que um raio de luz iluminasse esse um por cento que se apropria de mais de noventa e cinco por cento da riqueza; que acabasse esta cegueira colectiva e, então sim, seria Natal (Rapapapam! Rapapapam!)
Feliz ano novo!

Figueira da Foz, 8 de Dezembro de 2021.

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