Sorrio para ti

Sorrio para ti verde pinho manso que bracejas ramadas agitadas pelo vento que te abraça sem o veres. Peço-te encarecidamente um pinhão de ti ainda semente, quero-o, mas não para o comer, mas para o fortalecer com uma pequena parte das minhas futuras cinzas e para deste modo eu tornar a renascer numa árvore aprumada e recta ao céu azul infinito: assim, serei essência de aroma fresco e forte de pinho verde bendito, carregado e levado pelo errante vento; serei alimento generoso em fio num colar ao pescoço de meninas lindas pendurado e debicado nas festas das alegres e coloridas romarias; quando como árvore tornar a morrer, nem então acabarei, porque serei húmus na terra berço e vida de outros tantos pinheiros; serei brasas da lareira acalentadora da paixão de pares enamorados brindando com espumante frio, borbulhante, bruto e generoso, ou serei conforto dos ossos cansados e frios de velhinhos encantados com o bailado vestido de muitos tons vermelhos das chamas meninas irrequietas; serei também transformado em folhas de papel que se perpetuarão aos molhos nas cartas apaixonadas e inflamadas de promessas de eterno amor laçadas com fitas de nastro rosa de saudoso passado; serei guardião forte de branco papel onde os poetas encarreirarão sonhos pintados com letras juntas em palavras transformadas em rimas, versos, poemas, contos ou narrativas tão reais quanto fantasiosas sem conta e, até serei testemunho perpetuado dos soluços na cor indizível da tristeza que mata a alegria das meninas dos olhos infelizmente… porque felizmente tudo isto é vida!; também quero ser uma daquelas caixinhas de música da princesinha bailarina encantadora dos sonhos de menina carregada de inocentes fantasias com o seu príncipe encantado. No papel guardião da beleza e confidente dos mais sagrados sentimentos me perpetuarei, contudo, por agora, apenas quero viver feliz este meu tempo que me resta sem saber quanto ainda… Por tudo isto, para ti me sorrio inocente verde pinho que bracejas ramadas agitadas pelo vento que te abraça sem o veres e sem saberes que poderás ser eterno no papel branco que o passar do tempo amarelecerá à medida que o fores fintando…

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