Coliseu Figueirense completou 125 anos

Miguel Amaral, presidente da Companhia do Coliseu Figueirense

Miguel Amaral, presidente da Companhia do Coliseu Figueirense

No dia 23 de Março de 1895, numa sala do Mercado Engenheiro Silva, reunia-se pela primeira vez uma vintena de empreendedores figueirenses decididos a dotar a cidade de um equipamento há muito tido por necessário: "uma boa e ampla praça de touros".
À cabeça deste ambicioso empreendimento para o nóvel município estava João Antunes Pereira das Neves, médico, e o causídico de relevo Aníbal Augusto de Melo.
A relevância deste projecto pode ser avaliada pelas palavras que o jornal "O Povo da Figueira" lhe dedicou na sua edição de 24 de Março.

Foram sócios fundadores da Empresa Dr. Aníbal Augusto de Melo, Antunes & Irmão, Abílio Augusto Alves Amaro, António Pires dos Santos, Abílio da Costa Pereira, António Pereira Correia, Carlos Mesquita, Elísio Mendes da Costa, Fernando Victor Costa, Francisco Maria Oliveira, Guilherme Mesquita. Dr. José Jacinto da Silva Pinto, Dr. João Antunes Pereira das Neves, José da Cunha Ferreira, José Zuzarte dos Santos, Joaquim de Campos Ribeiro, João da Encarnação Pestana, João Maria Fialho, José da Silva Fonseca e Maximiano Monteiro Grilo e, destes, foram eleitos para a primeira Mesa da Assembleia Geral os Srs. Dr. José Jacinto da Silva Pinto, Fernando Victor Costa e José da Silva Fonseca.

A 25 de Março, era lançada a primeira pedra para a construção do portentoso equipamento, na presença do Presidente da Câmara Municipal, Dr. Joaquim Jardim, do Administrador do Concelho, Augusto Forjaz, dos clubes locais, Associação Naval 1.º de Maio e Club Gymnástico Velocipédico Figueirense, das duas corporações de Bombeiros, das Filarmónicas Figueirense e Dez de Agosto e de "grande concurso de povo".

A Empreza do Colyseu Figueirense ficaria constituída em Abril desse ano, com o capital de 10:000$000 réis, aproximadamente 237 mil Euros, dividido em 2000 acções.

A Empresa nasce num contexto económico e social especialmente atribulado - na Europa, da Rússia a Portugal, grassava um surto de "influenza", a temível gripe espanhola, e por cá, estavam "as classes menos favorecidas, cançadas já de luctar contra os revezes motivados pela falta de trabalho".

A Figueira debatia-se com a sua barra em constante assoreamento e clamava por uma draga que permitisse aos barcos de maior calado procurar refúgio neste porto e animar a sua economia mercantil; os maus anos de pesca deixavam muitos braços parados e muitos corpos indolentes.

Mas no Bairro Novo, os espanhóis animavam as ruas e serões com o delicioso estralejar das castanholas e havia pouco quem lhes resistisse...
A cidade queria-se uma referência do tourisme internacional: ligada a Paris via Valladolid por um comboio que atravessava a rica região das Beiras, era dotada de duas imponentes salas de espectáculos - Teatro Príncipe D. Carlos e Teatro-Circo Saraiva de Carvalho e vários Casinos, com espectáculos de troupes internacionais.

Onde bem receber era já uma arte, a Praça de Touros da Empresa do Coliseu Figueirense viria adicionar um elemento colorido e popular ao rosto da mais bela praia nacional, impulsionando a sua feição turística com uma estrutura de alta capacidade e "todas as condições modernamente exigidas pela arte do toureio".

Foram cerca de 500 - entre "homens, mulheres e crianças", diz a imprensa da época, os operários que em apenas 3 meses erigiram o colosso figueirense, com 7ooo lugares e comodidades variadas - cafés, restaurantes, fornecimento de refrescos e aluguer de almofadas.

No dia 24 de Agosto de 1895, na presença "do que há de mais gentil e distinto não só na colónia balnear como na sociedade propriamente figueirense", a arena abriu-se a um cartel que haveria de impressionar.

Por tudo quanto a História nos legou, hoje, como há 125 anos, é justo e digno que nos levantemos para saudar os fundadores da Companhia do Coliseu Figueirense e os seus accionistas. Conscientes de que vive ainda nos últimos o espírito empreendedor e visionário que animou os primeiros, dirigimos a todos as palavras com que a "Gazeta da Figueira" selou o seu público agradecimento à Companhia, em 28 de Agosto de 1895:

"Um bravo, pois, a esses homens empreendedores a quem a Figueira deve mais um importante melhoramento".

(Texto: Pó de Saber - Cultura e Património)

COMENTÁRIOS

ou registe-se gratuitamente para comentar.
Critérios de publicação
Caracteres restantes: 500

mais

QUEM SOMOS

O «Figueira Na Hora» é um órgão de comunicação social devidamente registado na ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). Encontra-se em pleno funcionamento desde abril de 2013, tendo como ponto fulcral da sua actividade as plataformas digitais e redes sociais na Internet.

CONTACTOS

967 249 166 (redacção)

geral@figueiranahora.com

design by ID PORTUGAL