Misericórdia “já ultrapassou os seus limites” e admite aumentar prestações familiares a partir já de janeiro

A Misericórdia – Obra da Figueira da Foz assinalou no passado dia 4 de dezembro o seu 182.º aniversário, inaugurando no exterior do edifício «António Biscaia» um painel de azulejos que evoca a Obra da Figueira (instituição incorporada na Misericórdia em 1976) bem como os seus impulsionadores José Jardim, Teresa Xavier Ramos e António Biscaia.
O provedor, Joaquim de Sousa, há mais de duas décadas à frente dos destinos da instituição, não escondeu a preocupação que se vive presentemente com a Misericórdia a necessitar de “mexer no seu património para equilibrar as contas”.
Conforme mencionado em assembleia geral, ficou demonstrado que o saldo negativo em 2021 deverá
ultrapassar os 160 mil euros e o saldo provisional para 2022 deverá ser negativo na ordem superior aos 190 mil euros.
“A Misericórdia já ultrapassou os seus limites”, diz Joaquim de Sousa explicando que o Estado propôs um teto orçamental (superior a 900 euros) por utente, contudo comparticipa apenas com um terço desse valor (pouco mais de 350 euros), uma situação há vários anos por actualizar, cabendo assim às misericórdias e familiares pagarem a diferença, “deixando o fardo para as instituições resolverem”, o que na sua opinião, “é inadmissível”.
Adianta o responsável que este contexto de crise pandémica obrigou já ao movimento de “mais de 200 mil euros sem qualquer retorno oficial”, pelo que “a manter-se esta situação somos forçados a aumentar significativamente as prestações familiares de cada utente a partir já de janeiro próximo, responsabilidade essa que competia ao estado”.
O provedor não esconde estar-se perante “uma tentativa de estatização que as misericórdias recusam. Não podemos tolerar esta situação”, até porque “as instituições de solidariedade social vivem momentos muito difíceis”.

Recorde-se que a Obra da Figueira começou a ser pensada nos finais do século XIX como Asilo de Infância de Desvalidos (1904 – 1987), entidade de carácter social e filantrópico tendo por objectivo “recolher e amparar as crianças desvalidas dando-lhes alimentos e o ensino para as habilitar a ganharem honestamente os meios de subsistência”. O apoio às crianças estendeu-se aos adultos economicamente desfavorecidos.
“Nesta missão dura”, o provedor Joaquim de Sousa não esqueceu “um profundo agradecimento” a todo o pessoal que presta serviço na instituição.
António Sérgio Martins, presidente das Misericórdias do Distrito de Coimbra, felicitou também a instituição figueirense que considerou ser “uma das melhores do país pela sua transversalidade”, validando toda a intervenção anterior sublinhando que “o nosso parceiro Estado está a ferir-nos de morte e legislar sem conhecer o terreno, é um erro grave”.
Olga Brás, vereadora em representação do município, felicitou a Misericórdia - Obra da Figueira pelo aniversário e pela actividade realizada pelos mais necessitados em prol da comunidade.
Como autarca, manifestou a sua preocupação pela situação vivida nesta instituição, lamentando que “o Estado esteja à espera que as autarquias assumam essas funções (que são do governo)”, reconhecendo que “a Misericórdia tem as mensalidades mais baixas do distrito”.
Olga Brás explicou que tem participado em reuniões com o parceiro Estado para que se encontre “um valor mais justo de comparticipação, na ordem dos 30 euros diários” por utente. Por outro lado, espera que até abril próximo a autarquia consiga negociar “uma comparticipação digna”, certa de que “é preciso olhar para estas casas com carinho”.

As festividades comemorativas do 182 aniversário da Misericórdia - Obra da Figueira iniciaram-se com a missa de aniversário celebrada na Capela de Santo António, uma das edificações religiosas mais antigas da cidade, datada de 1527 e que em breve comemora 500 anos da sua fundação.
O capelão da instituição, padre Carlos Noronha Lopes, evocou aquele espaço de convento a misericórdia como um lugar mítico ao longo de quase cinco séculos que “sempre foi um lugar de acolhimento de cansados, doentes ou dor, mas também dos mais necessitados pela amargura ou compaixão. É uma casa que exalta sempre os mais humildes”.

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