Crónicas de um Educólogo

As crónicas que se seguem abordam temas da atualidade que são rasgados pelo universo educativo, pois, de facto, a educação encontra-se presente em toda a nossa vida – nos espaços formais, como a Escola; semiformais, como os clubes desportivos; e informais, como é o caso de um passeio no parque.
Como tal, este espaço surge como um lugar de discussão da miríade de problemáticas quotidianas que são atravessadas por questões educativas.
Neste sentido, convidamos os nossos leitores e as nossas leitoras a comentar todas as crónicas que publicamos, seja por via das redes sociais, seja por meio do e-mail.

Educação para a Saúde e Participação Cidadã: Uma nota sobre o Dia Mundial da Atividade Física e o Dia Mundial da Saúde

A semana que passou, além de ter sido marcada pelas festividades da Páscoa, ficou ainda marcada pelo Dia Mundial da Atividade Física e pelo Dia Mundial da Saúde.
O Dia Mundial da Atividade Física, celebrado no dia 6 de abril, é uma iniciativa alavancada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 2002 com o intuito de amplificar a conscientização sobre o papel da prática regular de atividade física enquanto meio para prevenir doenças e promover a saúde.
De facto, a prática regular de atividade física comporta diversos benefícios para a saúde, incluindo ganhos na capacidade cardiovascular, redução do risco de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e hipertensão, e ganhos em saúde mental. No entanto, é fundamental que as pessoas tenham acesso a espaços públicos, como é o caso do Circuito de Musculação do Parque Urbano das Abadias e do Circuito de Atletismo da Praia da Claridade, ambos na Figueira da Foz, e privados, como é o caso dos diversos ginásios espalhados pela cidade, adequados para a prática de atividade física. A este respeito importa dizer que, tanto nos espaços públicos, como nos privados, a iniciativa de praticar atividade física por 15 minutos (o que implica despender cerca de 1 hora do nosso dia, tomando em conta o tempo de sair de casa e de voltar), no mínimo 3 vezes por semana, revela-se suficiente para melhorar a saúde e despertar a nossa motivação (interna e externa) para a construção de um estilo de vida saudável. Aliado a esta ação e sem descorar outros aspetos ligados a uma alimentação saudável, o consumo diário de frutas e vegetais, mesmo que em quantidades inferiores às recomendações da OMS (por exemplo, uma laranja ou banana e meio tomate ou algumas gramas de milhos por dia), contribui para ganhos em saúde em detrimento à ausência do seu consumo ou por relação ao seu consumo esporádico.
Já o Dia Mundial da Saúde, celebrado no dia 7 de abril, é uma iniciativa promovida pela OMS desde 1950 com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância da saúde, nomeadamente, para os desafios sociopolíticos enfrentados nesta área, por exemplo, o direito à saúde na totalidade do seu alcance – cuidados médicos de qualidade, maior alcance nos seguros de acidentes de trabalho e nos seguros pessoais em zonas desportivas, entre outras situações. A este respeito importa dizer que o maior desafio contemporâneo tem que ver com as iniquidades em saúde, isto é, com as profundas diferenças na sociedade portuguesa, por exemplo, em relação às diferenças no acesso aos serviços de saúde nos centros urbanos e no interior do país, e no mundo, a título ilustrativo, por relação às diferenças no acesso a medicamentos entre os continentes europeu e africano.
Assente nesta esteira, enquanto cidadãos portugueses e globais, importa dirigir esforços para, por um lado, contribuir para promover a nossa saúde e das pessoas que nos rodeiam, particularmente, no nosso núcleo familiar e de amigos (por exemplo, caminhar em conjunto ao final do dia e/ou andar de bicicleta ou jogar futebol ao fim de semana), e, por outro lado, surge como fundamental a nossa participação cidadã em iniciativas como o Fórum dos Cidadãos – https://www.forumdoscidadaos.pt/o-que-fazemos/introducao/, onde podemos criar um espaço público na nossa localidade para debater assuntos importantes para o desenvolvimento da nossa comunidade, assim como o nosso apoio a diversas associações de utentes, como a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), a Associação Portuguesa de Diabetes (APD), Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental (APPACDM), a Liga Portuguesa Contra a Epilepsia (LPCE) e a Associação de Apoio à Criança com Cancro (AACC). A nível global, indico a Framework Convention on Global Health (FCGH) Alliance – https://www.fcghalliance.org – enquanto organização não-governamental que alavanca diversas iniciativas em todo o mundo ao nível da revindicação do direito à saúde.
Em suma, tanto o Dia Mundial da Atividade Física, como o Dia Mundial da Saúde são datas importantes para vincar o papel da saúde nas nossas vidas, seja em termos da prática regular de atividade física e adoção de uma alimentação saudável, seja ao nível da nossa participação cidadã em projetos e políticas no âmbito da saúde.

(Miguel Correia, licenciado em Ciências da Educação e mestre no domínio da Cidadania em Saúde, dedica-se à investigação científica na área das Ciências da Educação, onde aprofunda tópicos relacionados com a saúde e a cidadania. Atualmente, faz parte da direção da Framework Convention on Global Health (FCGH) Alliance e encontra-se a desenvolver um projeto de escopo europeu em torno da problemática das migrações e do direito à saúde).

COMENTÁRIOS

ou registe-se gratuitamente para comentar.
Critérios de publicação
Caracteres restantes: 500

mais

QUEM SOMOS

O «Figueira Na Hora» é um órgão de comunicação social devidamente registado na ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). Encontra-se em pleno funcionamento desde abril de 2013, tendo como ponto fulcral da sua actividade as plataformas digitais e redes sociais na Internet.

CONTACTOS

967 249 166 (redacção)

geral@figueiranahora.com

design by ID PORTUGAL