Falhámos outra vez!

Falhámos e continuamos todos a falhar no mesmo e da mesma forma. Sinto uma tontura vertiginosa, sinto uma náusea, sinto-me a cair, sinto-me a desfalecer, porque continuamos a repetir os mesmos erros. Sabe-me a boca a amargo.
Soube-me a boca a amargo quando não ouvimos a tempo o grito da senhora professora Azul, ela gritou antes de ter desistido de viver e voltámos a falhar quando não aprendemos nada com a sua última lição!
Quando é que vamos parar de falhar? Quando é que aprenderemos? Quando é que verdadeiramente recomeçaremos a RELIGAR-NOS? Estamos todos, ou quase todos demasiado desligados uns dos outros. Como é possível que isto continue a acontecer na era em que contactarmo-nos nunca foi tão fácil e tão acessível?
Comecei a publicar os meus textos em Setembro do ano de 2016 e, num dos primeiros, escrevi sobre um embaraço nacional em que pela eficiência cobratória do fisco, num processo de execução fiscal, veio a descobrir-se que o contribuinte relapso e o seu cachorro estavam cadáveres há sete anos naquela casa. Exceptuando o fisco, embora por diversa razão, os demais falhámos todos uma vez mais...
A vida é frági, é muito frágil e, quando a roda da vida desanda, ainda mais frágil ela se torna. A vida da Clara Pinto Correia desandou, não é preciso muito para ela nos desandar, bastam-nos algumas minudências desacertadas ou nem tanto sequer ...
- Então, onde falhámos? Perguntam-se alguns já a roçar a impaciência.
Não falhámos por a terem encontrado já cadáver. Poder acontecer morrer subitamente é próprio das contingências da vida. Falhámos por a terem encontrado já cadáver de há vários dias nesta era da comunicação fácil. Falhámos, sobretudo, porque estamos cada vez mais DESLIGADOS.

Walter Ramalhete.
Figueira da Foz, 14 de Dezembro de 2025.
Este texto foi escrito nos termos ortográficos anteriores ao actual (Des) Acordo ortográfico. Reservados todos os direitos de autor.

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