Cerca de 170 alunos do ensino secundário ainda não conheciam no domingo à noite a sua nota na primeira fase dos exames nacionais, anunciou hoje o ministro da Educação.
Na Figueira da Foz, onde inaugurou o edifício 2 do campus da Universidade de Coimbra, Fernando Alexandre adiantou aos jornalistas que entre as 290 mil provas realizadas foram registados 825 pedidos com identificação de desconformidade.
“Não estou a desvalorizar, mas estamos a falar de 825 em 290 mil”, enfatizou o governante, que disse já ter sido analisado cada um dos pedidos e identificada a razão da desconformidade, que nalguns casos não existia.
Nos casos em que houve desconformidades, o ministro da Educação disse que estão a ser corrigidas e “existem muito poucos casos por corrigir, que entre hoje e amanhã [terça-feira] devem ficar resolvidos”.
Após receberem a nota, os alunos têm 48 horas para pedir a reapreciação a tempo de se candidatarem ao ensino superior na primeira fase.
Pela primeira vez este ano, quase 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato digital, mas o processo registou várias falhas técnicas, obrigando ao adiamento por alguns dias da divulgação das notas.
O ministro da Educação tem reconhecido os problemas, mas garante que nenhum aluno será prejudicado.
A tutela decidiu adiar a divulgação dos resultados da 1.ª fase para 17 de julho, mas as notas só foram afixadas nas escolas à noite e muitos alunos tiveram de esperar mais alguns dias para saber os resultados. Também a 2.ª fase dos exames nacionais começaram mais tarde, tendo decorrido entre 21 a 24 de julho.
Apesar destes atrasos, o Ministério manteve os calendários de candidatura da 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, que termina a 06 de agosto, e criou uma época especial de exames, que irá decorrer entre 03 e 08 de setembro.
Pedidos de reapreciação mais do que duplicam face a 2025 para 15 mil
O Ministério da Educação registou até agora 15 mil pedidos de reapreciação de prova, mais do dobro dos 6.200 pedidos registados na primeira fase do ano passado, anunciou hoje o ministro.
Fernando Alexandre prometeu que estes pedidos “serão analisados rapidamente, segundo os trâmites normais”, e justificou o aumento com uma “mudança muito importante” no método de avaliação.
O governante explicou que o novo método – em que diferentes professores participam na classificação de cada prova – permitiu “um número muito significativo” de notas entre 9 e 9,4 valores (numa escala de 0 a 20).
“No ano passado não tínhamos praticamente nenhuma nota entre os 9 e os 9,5 valores, porque era um professor só a corrigir os exames. Agora, como somamos as várias respostas que compõem o exame e cada classificador faz a classificação sem ter a visão global do exame, o que resulta numa avaliação mais objetiva”, há mais notas que ficam a poucas décimas da aprovação (com 9,5 valores o aluno fica aprovado).
Segundo o ministro, existem 2.400 provas que têm 9,4 valores, pelo que é natural que os alunos, perante essa nota, peçam a reapreciação: “De facto, falta uma décima para terem aprovação”.
“O sistema tem os mecanismos para fazer essa verificação, que é precisamente através da reapreciação e, por isso, não é surpreendente que este ano, com este sistema, tenhamos mais reapreciações”, frisou.
Nas 290 mil provas, 20 mil têm notas que terminam nas quatro décimas antes da aprovação, "por isso, é natural que haja um aumento dos pedidos de reapreciação", acrescentou o governante.
O número de pedidos de reapreciação apresentados até agora é mais do dobro dos 6.200 pedidos de toda a primeira fase de 2025, mas ainda poderá aumentar, porque ainda decorre o prazo para a reapreciação de provas dos alunos que tiveram acesso às provas mais tarde.
Texto: Lusa
Foto: Mykita Ulianov
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