Aprenda a utilizar um simulador de crédito consolidado sem ser enganado pelos números

Descubra como um simulador de crédito consolidado permite estimar custos reais e identificar a melhor solução para reunir os seus créditos. Saiba como interpretar a TAN e a TAEG, evitar armadilhas comuns e simular cenários de um modo realista para tomar decisões financeiras mais seguras.

Na realidade atual, em que a gestão do orçamento familiar se revela cada vez mais exigente, sobretudo face à multiplicidade de créditos com diferentes condições, o recurso a um simulador de crédito consolidado assume particular relevância.
Esta ferramenta permite não só antever o impacto de uma eventual consolidação de dívidas, como também comparar diversos cenários e evitar decisões precipitadas.
Contudo, importa compreender corretamente os resultados apresentados, sob pena de ser induzido em erro por números aparentemente vantajosos.
De seguida, explicaremos como utilizar um simulador de um modo crítico e informado, identificando as variáveis mais relevantes, evitando armadilhas frequentes e oferecendo orientações práticas para garantir simulações mais realistas e úteis.

Compreenda as variáveis do simulador
Para tirar o máximo proveito de qualquer simulador de crédito consolidado, é fundamental compreender as seguintes variáveis que influenciam os resultados:
1. Montante total do crédito
Neste campo, deverá inserir o valor acumulado de todas as dívidas que pretende consolidar, incluindo empréstimos pessoais, crédito automóvel, saldos de cartões de crédito, entre outros.
A simulação será tanto mais precisa quanto mais rigorosa for esta informação.

2. Taxas de juro (TAN e TAEG)
A Taxa Anual Nominal (TAN) e, sobretudo, a Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG) são determinantes para a exatidão de qualquer simulação.
Nos simuladores de crédito consolidado, estas taxas são, regra geral, calculadas automaticamente com base nos dados introduzidos pelo utilizador.
A TAEG assume especial importância, uma vez que reflete o custo total do crédito, incluindo não apenas os juros, mas também as comissões, os seguros obrigatórios e outros encargos associados, oferecendo uma perspetiva mais completa e comparável entre diferentes cenários.

3. Prazo de reembolso
O número de meses em que se propõe reembolsar o crédito consolidado afeta diretamente o valor da prestação mensal e o montante total de juros a pagar.
Neste contexto, os prazos mais longos tendem a reduzir o encargo mensal, mas geralmente implicam um custo total superior.

Armadilhas comuns e como evitá-las
Embora os simuladores sejam ferramentas úteis, existe o risco de se tirarem conclusões precipitadas se os resultados não forem devidamente interpretados.
Eis algumas das armadilhas mais comuns que importa conhecer para evitar decisões financeiramente desfavoráveis:
1. Foco exclusivo na prestação mensal
É comum avaliar uma simulação apenas com base na prestação mensal. Contudo, importa também analisar o montante total a reembolsar, pois um valor mensal reduzido pode ocultar um encargo global mais elevado, sobretudo se o prazo de pagamento for alargado.

2. Desconsiderar a TAEG
A TAEG é o indicador mais fiável do custo real de um crédito, pelo que ignorá-la pode levar a comparações injustas entre propostas que, embora similares em termos de TAN, podem divergir significativamente quanto aos encargos totais.

3. Utilização de prazos padrão
Utilizar o prazo predefinido pelo simulador, sem testar outras hipóteses, pode limitar a capacidade de análise. Por conseguinte, é aconselhável simular vários prazos e observar o impacto de cada um na prestação e no custo total.

Comparar cenários: o que realmente importa
O verdadeiro valor de um simulador reside na possibilidade de comparar, de forma clara, diferentes opções de consolidação.
Vejamos, então, de que forma essa comparação pode ser feita de forma eficaz:
1. Situação atual vs. consolidação
Antes de mais, é essencial simular a situação financeira atual, ou seja, somar os valores em dívida, os encargos mensais e o prazo restante. Esta informação servirá de base para comparar com o cenário de crédito consolidado.
A comparação entre os dois permitirá aferir se a consolidação representa, de facto, uma vantagem financeira.

2. Inclusão de financiamento adicional
Caso pretenda aproveitar a consolidação para obter crédito adicional, o simulador deverá permitir essa opção.
Ainda assim, convém analisar cuidadosamente o impacto que esse valor adicional terá sobre o custo total do crédito e a sustentabilidade da prestação mensal.

Dicas práticas para simular de um modo realista
Para que a simulação produza resultados úteis e fiáveis, recomenda-se a adoção de algumas boas práticas, tais como:
1. Recolher toda a informação necessária
Antes de iniciar a simulação, reúna os contratos e extratos dos créditos ativos, anotando o valor em dívida, a taxa de juro e o prazo remanescente. Esta informação será fundamental para realizar uma simulação exata.
2. Utilizar diferentes simuladores
Recorrer a simuladores de diversas entidades permite comparar propostas e verificar a consistência dos resultados. As diferenças podem revelar-se significativas e influenciar a decisão final.
3. Ajustar a simulação ao seu perfil
Caso conheça o seu histórico de crédito ou tenha uma ideia da taxa de juro que poderá obter, introduza esses dados na simulação. Desta forma, os resultados refletirão melhor a realidade do seu caso.
4. Repetir a simulação com regularidade
As condições de mercado, nomeadamente as taxas de juro, estão sujeitas a variações, pelo que é recomendável repetir a simulação periodicamente, sobretudo se estiver a ponderar avançar com um pedido de crédito consolidado nos próximos meses.

Exemplo prático
Suponha que tem uma dívida no valor de 15.000 € por saldar (oriunda de pelo menos dois créditos ao consumo) e que, entretanto, caiu em situação de incumprimento (uma condição essencial para poder solicitar uma consolidação de créditos).
Dirija-se a um de múltiplos simuladores online e introduza o montante em causa. Seguidamente, deverá determinar o valor agregado das suas prestações mensais; para efeitos desta simulação, selecionaremos 500 €.
Depois, confirme se necessita de financiamento adicional para, por exemplo, concluir um projeto seu em curso. Dado que o principal objetivo da consolidação de créditos é saldar as suas dívidas, repor o bem-estar financeiro e melhorar a sua pontuação de crédito junto do Banco de Portugal, ignoraremos este passo.
Decida, agora, em quanto tempo pretende proceder ao reembolso; suponhamos que opta por 60 meses (ou 5 anos). A sua mensalidade baixará de imediato para 347,71 €, traduzindo-se numa poupança de 152,29 €. Naturalmente, quanto mais longo for o prazo de reembolso, mais dispendiosa ficará a consolidação no final do contrato, considerando o progressivo aumento das taxas de juro aplicáveis.
Finalmente, determine se pretende contratar um seguro de proteção da sua capacidade financeira (inteiramente opcional) e efetue a simulação. O montante total imputado ao consumidor (MTIC), ou seja, o custo total da consolidação com todas as despesas incluídas, será de 21.127,29 €*.

Considerações finais
Ao utilizar um simulador de crédito consolidado de um modo consciente e informado, estará a dar um passo importante para a reorganização das suas finanças pessoais.
Esta ferramenta, quando bem interpretada, permite não só identificar oportunidades de poupança, como também evitar compromissos financeiros que, a médio prazo, poderiam revelar-se desvantajosos.

* A simulação apresentada diz respeito a um financiamento de 15.000 €, a pagar em 60 mensalidades de 347,71 €. TAN 13,300% e TAEG 15,6%. MTIC 21.127,29 €.

(Imagem gerada por IA)

 

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