Caudal do Mondego registava mais de 1.700 metros cúbicos por segundo às 14:00

Ponte Açude - Coimbra (@APA)

O caudal do rio Mondego na ponte-açude de Coimbra registava, pelas 14h00 de hoje, 1.741 metros cúbicos por segundo (m3/s), um dos maiores valores desde que as inundações atingem, há mais de uma semana, o Baixo Mondego.
No início da passada semana, os caudais que passam no açude-ponte - onde o rio Mondego entra no trajeto canalizado que vai de Coimbra à Figueira da Foz – chegaram a ultrapassar os 1.800 m3/s, mas numa altura em que não chovia e em que os campos agrícolas estavam longe da inundação que agora se verifica.
A meio da tarde de domingo, o caudal que sai (efluente) da Ponte-Açude, começou a baixar, dos 1.507 m3/s até aos 1.264 m3/s (menos 243 mil litros por segundo) registados às 14:00 de segunda-feira, segundo dados do portal Info Água, consultados pela agência Lusa.
No entanto, nas últimas 24 horas e praticamente sem que a chuva, embora fraca, desse tréguas, o caudal voltou a subir, cifrando-se, pelas 14:00 de hoje, nos 1.741 m3/s (mais 477 mil litros por segundo) face à mesma hora de segunda-feira.
Acresce que os descarregadores da margem direita do Mondego – três infraestruturas da obra hidráulica do rio, que permitem retirar água do canal principal para os campos agrícolas – estavam hoje a funcionar, embora não na plenitude, revelam imagens captadas no local.
A água descarregada do canal principal acaba por acumular e correr para jusante, em direção ao leito abandonado do Mondego e valas de drenagem, sendo parcialmente responsável pelo isolamento da povoação da Ereira há uma semana e por alguma água acumulada no centro de Montemor-o-Velho.
Segundo a mesma fonte de dados, a bacia do Mondego voltou hoje a estar em situação de alerta de cheias – o menos gravoso de dois níveis, sendo o mais grave a situação de risco – embora com quatro episódios a montante de Coimbra a merecerem atenção.
Um desses episódios acontece na estação hidrométrica da Ponte do Cabouco, no rio Ceira (afluente da margem esquerda do Mondego), registava, pelas 16:00, 4,47 metros de altura de água (bem acima do mínimo de 3 metros do nível de alerta) e um caudal de 193 m3/s.
Também no nível de alerta estavam a ponte da Conraria, no mesmo rio, situada a pouco mais de um quilómetro da foz do Ceira, cuja altura de água se situava, pelas 16:15, nos 6,46 metros (1,46 metros acima do nível mínimo de alerta de 5 metros) e um caudal de 471 m3/s, que estará a provocar uma pressão acrescida ao caudal da ponte-açude de Coimbra.
Já a ponte de Santa Clara, na baixa de Coimbra, voltou hoje à situação de risco, apresentando, pelas 16:00, um caudal com 3,88 metros de altura.
Por seu turno, o volume de armazenamento da barragem da Aguieira, que esteve no final da semana passada nos 84%, e que veio a descer, ao longo do fim de semana até ao início da manhã de hoje, até aos 71%, já voltou a subir, cifrando-se, pelas 16:00, nos 75%.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tem vindo a fazer uma gestão de cheia controlada, aplaudida em geral, no Baixo Mondego, por agricultores e autarcas, no sentido de evitar que as margens do Mondego quebrem, o que sucedeu em 2001 com resultados catastróficos e, mais recentemente, em 2019, com uma cheia limitada à margem direita.
No entanto, continua a existir o risco de os diques direito ou esquerdo do canal principal do rio poderem rebentar, face à pressão que a água exerce naquelas infraestruturas e o tempo decorrido desde o início desta crise – cerca de 10 dias – com caudais médios da ordem dos 1.500 m3/s.

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