Mau tempo: Autoridades garantem que caudal do Mondego está a ser controlado

Um dos cenários em Montemor-o-Velho

As autoridades de Proteção Civil e de autarquias da região de Coimbra garantiram esta noite que os caudais do rio Mondego estão a ser monitorizados e controlados, embora existam alertas de cheias nos municípios a jusante de Coimbra.
Em declarações à agência Lusa, Ana Abrunhosa, presidente do município de Coimbra, disse que a Proteção Civil municipal está a monitorizar em contínuo a situação, estando a barragem da Aguieira a efetuar descargas controladas.
Já o comandante da Companhia de Bombeiros Sapadores, Paulo Palrilha, que se encontrava junto da presidente de Câmara, observou que as infraestruturas que permitem descarregar água do canal central do rio para os campos agrícolas, a jusante da ponte-açude, “estão todas em boas condições e a funcionar”.
O rio Mondego possui quatro descarregadores para a margem direita: um dique fusível na zona da mata do Choupal, em Coimbra, que permite escoar até 200 m3/s e três diques sifão (cada um com capacidade de descarga idêntica ao dique fusível) colocados a jusante daquele, rio abaixo.
A descarga de água para os campos de Coimbra e Montemor-o-Velho, embora possa potenciar uma inundação na planície agrícola, insere-se na obra hidráulica do Mondego e permite retirar pressão sobre o leito central e garantir que o rio não galga ou parte as margens (diques) do canal artificial por onde corre até à Figueira da Foz.
O caudal do Mondego na ponte-açude de Coimbra, que rondava a meio da tarde os 1.450 metros cúbicos por segundo (m3/s), o equivalente a 1,45 milhões de litros de água por segundo, foi subindo gradualmente nas últimas horas, situando-se, pelas 21:15, nos 1.757 m3/s, nível de alerta laranja do plano especial de cheias do concelho de Coimbra.
Ana Abrunhosa esclareceu, no entanto, que aquele plano não foi ativado, por estar ativo o plano municipal de emergência do município de Coimbra, bem como o plano distrital e a situação de calamidade decretada pelo Governo, nos territórios afetados pela depressão Kristin, que, automaticamente, leva à ativação dos vários planos de emergência.
Já José Veríssimo, presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho (CMMV), notou que a gestão dos caudais “está a ser controlada” pelas autoridades, não antecipando problemas mais graves do que a eventual inundação de zonas habitualmente afetadas pela subida das águas, situação que tem levado a sucessivos alertas do município que dirige.
“Se tudo funcionar como deve ser [na obra hidráulica], se os descarregadores funcionarem, não deverão existir problemas graves”, como o rebentamento dos diques do canal central - o que sucedeu em 12 locais em 2001 e em dois locais, um no canal central e outro no leito periférico direito nas cheias de 2019 - “porque o rio tinha muita madeira e os descarregadores estavam entupidos”, explicou o autarca.
“Mas, em 2016, o rio não rebentou os diques porque o sistema funcionou e esperamos que agora aconteça o mesmo”, evidenciou José Veríssimo.
Sobre a situação revelada esta noite junto à localidade de Casais (Coimbra), de infiltração de água no dique da margem esquerda, proveniente do leito central e que está a preocupar os moradores das povoações vizinhas, a GNR disse à Lusa estar a monitorizar o caso em permanência.
Já o comandante Paulo Palrilha lembrou que aquele dique foi o primeiro a partir em 2001, tendo, depois disso, sido reforçado com betão e que as escorrências que se verificam estão a passar pelas juntas de dilatação da infraestrutura, não pondo em causa, neste momento, a sua integridade.
Por seu turno, o autarca José Veríssimo confirmou que ali existe uma infraestrutura “em profundidade, que tem funcionamento automático e, quando a água chega a um determinado nível, nunca abre”.
“Rebentou em 2001 e depois foi reparado. Mas em 2016 tinha uma fuga, em 2019 tinha uma fuga e continua com uma fuga”, avisou o presidente da Câmara, lembrando, como sucedeu em 2001, que “se a água for muita, pode vir a acontecer” um rebentamento de diques.
“Mas se a obra funcionar toda não acontece. O ano passado [em 2025] chegaram a passar 2.160 metros cúbicos [por segundo] na ponte-açude e não houve problemas de maior. Vai encher os campos, que já estão saturados de água e com pouca capacidade de encaixe, pode provocar alguns prejuízos, mas vai ser uma situação controlada”, reafirmou.

Lusa
Foto: CMMV

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