Seis satélites portugueses foram lançados para criar um serviço de navegação marítima de uso civil e militar.
Quatro são satélites que vão criar a Constelação Lusíada, e que se juntam a um já em órbita. Os outros dois agora lançados – um satélite SAR (Synthetic Aperture Radar, Radar de Abertura Sintética em português) da Força Aérea, e um satélite ótico (VHRLight NexGen) – integram a Constelação do Atlântico que se juntam aos três já em órbita.
O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, afirmou que este "é o dia mais marcante" da presença de Portugal no espaço, "mas é apenas o início, porque atrás destes satélites irão outros ainda este ano, e vamos ter o nosso próprio lançador nos Açores" – os seis satélite de hoje foram lançados da Califórnia, Estados Unidos, através de um foguetão da empresa SpaceX.
Todos estes satélites foram desenvolvidos e produzidos em Portugal, os quatro primeiros (que têm nomes de escritores) pelas empresas que integram a Agenda Mobilizadora New Space Portugal, um pela Força Aérea e outro pelo CEiiA - Centro de Engenharia e Desenvolvimento, e foram financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência.
O ministro referiu que "todos nos lembramos quando olhávamos para os países que tinham ousadia de chegar ao espaço. Eram só os grandes países, muito ricos, e Portugal punha-se totalmente fora dessa situação. Hoje, Portugal é um parceiro ativo e quer estar na primeira linha do convívio com o espaço".
Castro Almeida destacou que esta dupla capacidade de duplo uso civil e militar deve ser uma forma de a Europa investir na sua Defesa: "Queremos participar no reforço das capacidades militares da Europa e isto é uma forma de o fazer. As despesas de natureza militar que estamos a fazer na chegada ao espaço vão, evidentemente, contar no conjunto das despesas militares de Portugal".
"E Portugal está a ter uma parte determinante, ativa, liderante mesmo, neste processo de reforço das capacidades de uso militar da Europa", disse, apontando uma "era nova na ligação de Portugal com espaço".
Constelação Lusíada
O projeto da Constelação Lusíada, que é a parte portuguesa da Constelação do Atlântico, é criar um serviço de informação aos navios em tempo real, como os que existem para as estradas, com informações como alertas de piratas, meteorologia, pedidos de auxílio, ‘icebergs’ à deriva, derrames de petróleo.
O sistema vai permitir que qualquer embarcação no mar possa aceder a comunicações a preço acessível. Os primeiros dados deverão estar disponíveis após três meses, mas o serviço só estará totalmente operacional em 2027, quando estiverem em órbita os 12 satélites que compõem a constelação.
Constelação do Atlântico
A Constelação do Atlântico vai reforçar a capacidade de duplo uso para servir Portugal e a Europa. Os dados recolhidos poderão ser usados nas áreas da defesa, segurança, resposta a catástrofes, agricultura de precisão, monitorização ambiental, mapeamento de carbono. A transmissão do evento em direto teve lugar no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa com a presença também da secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão.
@ Ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, durante o lançamento de satélites portugueses - Rodrigo Antunes/Lusa (via República Portuguesa)
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