O presidente da Câmara de Montemor-o-Velho acusou hoje a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de não deixar ligar a bombagem que permitiria retirar a água acumulada naquele município do Baixo Mondego, considerando “vergonhosa” a “inoperância” da autoridade ambiental.
Questionado pela agência Lusa sobre se a única bomba instalada nas comportas do Foja, a jusante de Montemor-o-Velho e da povoação da Ereira, já funciona – depois de as autoridades terem estado vários dias a tentar ligar o equipamento – José Veríssimo começou por dizer não querer falar sobre o assunto, classificando-o de “mais uma vergonha”, mas acabou por falar numa alegada “falta de autorização” da APA para “ligar” a bombagem.
“Infelizmente as pessoas continuam sentadas na cadeira e não querem resolver os problemas”, acusou o autarca.
Na noite de sábado a água acumulada nos campos agrícolas do vale central do Mondego chegou ao centro de Montemor-o-Velho, cortando algumas ruas, já depois de ter isolado, desde quarta-feira, a localidade da Ereira.
Já o transporte de pessoas de e para a Ereira passou a ser feito por botes dos Fuzileiros, e só em caso de necessidade.
Segundo José Veríssimo, a única bomba da estação do Foja (das seis que o projeto hidráulico previa) “ficou na sexta-feira preparada” para entrar em funcionamento, depois de a E-Redes ter feito “um trabalho excecional”, após o equipamento ter ficado sem energia elétrica e o recurso a um gerador de grande capacidade não ter surtido efeito.
A estação de bombagem é a única forma de a água acumulada nos campos agrícolas sair para o Mondego, embora, para além da bomba, as três comportas operacionais (das cinco existentes) só possam funcionar se o caudal do rio for inferior, em altura, aos cursos de água (vala da Ereira, leito abandonado e ribeira de Foja) que ali afluem.
O autarca criticou também a APA pela falta de manutenção da obra hidroagrícola e gestão dos caudais do rio Mondego, depois de durante a semana ter elogiado a forma como essa gestão estava a ser feita, nomeadamente a da barragem da Aguieira.
Segundo o autarca, a APA devia largar mais água coincidindo com a maré cheia – cujo efeito se faz sentir da Figueira da Foz, rio acima, até à Ereira – e reduzir os caudais com a maré vazia, para ser possível abrir as comportas do Foja.
“O mais grave para mim, acima de tudo, é a inoperância da APA. É vergonhoso sentir uma situação como esta, ao fim de 25 anos [das grandes cheias de 2001] nada ter sido feito”, enfatizou o presidente da Câmara.
“Neste momento estão a correr 1.600 [metros cúbicos por segundo, na Ponte-Açude de Coimbra]. Porquê? Porque eles têm medo da obra não aguentar [e as margens do Mondego partirem], porque podia estar a correr com 2.000 m3/s. E não está, porque eles sabem que a obra não tem tido manutenção, pura e simplesmente é isto”, salientou José Veríssimo.
Nas declarações aos jornalistas, o autarca socialista deixou de fora das críticas o Governo e a ministra do Ambiente, com já esteve reunido, considerando que Maria da Graça Carvalho é uma pessoa “muito sensata, muito honesta, muito frontal”.
“Agora, as entidades que gerem estas situações têm de ser mais eficazes, as pessoas não podem estar sentadas nas cadeiras a olhar para as pessoas. Eu fui eleito para representar as pessoas e custa-me muito, dói-me o coração ver uma situação destas a acontecer”, desabafou.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Texto: Lusa
Foto: Raúl Garcia (arquivo)
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