Neste texto decidi inverter a ordem, por fim e só no final virá o título. A redundância é intencional, esta figura por ser tão vulgar desmerece qualquer explicação.
A beleza é o que delas mais impacta. Ela é-lhes tão natural como o sopro da vida que as anima. Ela brota como uma fonte natural de tão natural que é (outra vez!). Umas têm consciência dos perigos que ela lhes acarreta e, por isso estão atentas aos inconfundíveis olhares e movimentos dos predadores e às possíveis alfinetadas mortais das suas más intenções.
Outras, inconscientes da existência desses perigos atravessam a sua beleza nua, radiante, diante de olhos perversos e mal intencionados sem qualquer noção dos riscos que correm. Adejam puerilmente de lugar em lugar, de flor em flor, de rua em rua, de loja em loja, de baile em baile, de beijo em beijo, de risada em risada... totalmente despreocupadas, sem saberem que alguém as quer capturar, arrancar as suas lindas asas, espetar um alfinete, real ou virtual, nas suas costas para passarem a fazer parte da sua macabra colecção, elas agem despreocupadamente porque não têm maldade dentro delas e, esta é a sua maior fragilidade.
Aquelas, as avisadas, encobrem a beleza com subtileza e muita discrição enquanto tentam trocar os caminhos aos olhos e aos intentos maldosos dos caçadores, às suas redes, enquanto criam sombras, desaparecem dos lugares habituais, trocam de poisos, escondem-se, disfarçam-se, recatam-se mais e mais e deixam de ser livres de viver, espiando uma culpa que não está, nunca esteve, nem estará nelas, tudo isto porque simplesmente nasceram belas e nem sequer escolheram.
Há tamanhas maldições assim!
Todas são borboletas, todas são vítimas desta conhecida maldita maldição ( e já vão três, as mesmas vezes que Pedro O negou antes do galo cantar ).
A maldição das borboletas!
Walter Ramalhete. Figueira da Foz, 12 de Outubro de 2026. Este texto foi escrito nos termos ortográficos anteriores ao actual (Des) Acordo ortográfico. Reservados todos os direitos de autor.
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