Voltei ao mar, voltei a esse tanto de mim há tantos anos separados. Foram tão grandes as nossas alegrias nesse reencontro. Foi pequeno o mar comparado com o nosso abraço apertado, molhado, saudoso, salgado, arrepiante.
Ele cobriu-me completamente, parecia afogar-me.
Chegou a faltar-me o ar. Ouvi-o sussurrar-me: - Peço-te por favor, não voltes a ficar tanto tempo sem vires até mim.
Necessito de sentir o pulsar do teu coração, não me contenta ver-te longe no cimo dum qualquer paredão!
Entretanto, ondas amorosas batiam contra o meu corpo num ritmo choroso. Ninguém se apercebeu que estávamos com os olhos marejados de lágrimas transbordantes de felicidade.
Cada amigo tem dentro de si uma parte de nós e nós temos dentro de nós uma parte dele, só nos completamos quando nos reencontramos, é essa a razão daquela saudade que sentimos e que apressa os reencontros.
Reencontrámo-nos nesse dia na praia do Cabedelo porque duas meninas lindas - a Inês e a Mariana - cheias daquela beleza invisível ao olhar, também nadadoras salvadoras, também amigas do mar, também tu cá tu lá com ele, conjugaram esforços com duas outras meninas igualmente muito lindas - a Pi e a Adélia - também cheias daquela mesma beleza interior e invisível ao olhar e fizeram o nosso reencontro acontecer.
SARAVÁ!
Esse abraço trouxe-me vida, ondas de recordações, golfadas de água fresca irrequieta a escorrerem-me pelo corpo, aromas, sabores, ritmos que só conhecem, que só sentem e preservam com veneração os tu cá tu lá com ele.
Parafraseando a menina Adélia, digo igualmente que aquele reencontro, aqueles momentos souberam-me pela vidinha. Passámos mais alguns minutos numa profunda troca de emoções que nenhuma palavra consegue descrever.
Entretanto, o tiralô que me levou a ele já fazia falta a outro. Prometi-lhe regressar brevemente e regressei mais três vezes levado pelo meu irmão Ângelo, também um velho amigo do mar, também um antigo nadador salvador, também tu cá tu lá com o mar.
Eu também fui nadador salvador durante oito maravilhosos anos da minha juventude. Passar muito tempo com o mar modifica-nos, alarga-nos o horizonte, torna-nos mais sonhadores, mais fortes, mais confiantes nas boas marés que a vida sempre se encarregará de nos trazer.
Aprendemos sempre muito com ele. Senti isso na Inês, na Mariana e no Rui.
SARAVÁ! - Até ao próximo ano! - Despedi-me assim dos nadadores e do mar.
SARAVÁ!
Walter Ramalhete. Figueira da Foz, 21 de setembro de 2026. Este texto foi escrito nos termos ortográficos anteriores ao actual (Des) Acordo ortográfico. Reservados todos os direitos de autor.
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