A Assembleia da República aprovou hoje, por unanimidade, um voto de pesar pela morte do músico António Chaínho, que recordou como um “autêntico embaixador do fado”.
O voto, apresentado pelo presidente do parlamento, recorda que António Dâmaso Chainho, “mestre insigne da guitarra portuguesa”, morreu no passado 27 de janeiro, dia em que completou 88 anos.
“Nascido em São Francisco da Serra, Santiago do Cacém, herdou dos pais o gosto pela música. Aos 8 anos, aprendeu a manejar a guitarra portuguesa; aos 13, acompanhava os fados da mãe”, recorda o texto de José Pedro Aguiar-Branco.
Estabelecido em Lisboa após o serviço militar, iniciou uma carreira musical de seis décadas. Das casas de fado aos estúdios de gravação, acompanhou grandes nomes do fado, como Amália, Hermínia Silva, Carlos do Carmo ou Frei Hermano da Câmara.
“Eclético e inovador, alargou as fronteiras do fado, dividindo o palco com figuras maiores da música internacional – Dolores Pradera, Maria Bethânia, José Carreras, John Williams e Adriana Calcanhotto. Em Lisboa-Rio (2000) e LisGoa (2010), demonstrou a vocação universalista de Portugal, colocando o fado em relação com outras culturas e sonoridades”, refere-se.
“Autêntico embaixador do fado, guardou sempre uma generosa disposição para ensinar novos artistas. O seu último álbum, O Abraço da Guitarra (2024), é uma homenagem aos mestres que o introduziram à música”, acrescenta o texto.
Recebeu, em 2022, a Ordem do Infante D. Henrique.
Pesar pelo sindicalista António Mariano e atriz Elisa Lisboa
A Assembleia da República aprovou ainda, por unanimidade, votos de pesar pelas mortes do sindicalista António Mariano e da atriz Elisa Lisboa.
O voto apresentado pelo BE recorda António Mariano, que morreu aos 57 anos, como uma “figura de referência do sindicalismo português e antigo Presidente da Direção do Sindicato dos Estivadores e Atividade Logística (SEAL)”.
Natural de uma família ligada ao setor, António Mariano dedicou décadas da sua vida à defesa dos direitos dos trabalhadores portuários.
“A sua trajetória confunde-se com a história recente da atividade portuária em Portugal, tendo assumido um papel de liderança em momentos críticos para o setor nos portos de Lisboa, Setúbal, Madeira ou Figueira da Foz”, destaca-se, recordando que foi um dos principais rostos da contestação à Lei do Trabalho Portuário de 2012.
No voto apresentado pela Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, recorda-se a atriz Elisa Lisboa, que faleceu aos 81 anos na Casa do Artista, como uma “figura de referência do teatro, da televisão e do ensino artístico em Portugal”.
Nos primeiros anos da sua atividade profissional, integrou o Teatro Experimental de Cascais, participando em espetáculos que marcaram a programação da época, entre os quais Bodas de Sangue (1968), Maria Stuart (1969), Antepassados Precisam-se (1970) ou O Rei Está a Morrer (1970).
“Esta fase inicial foi determinante para a consolidação da sua formação artística e para a afirmação do seu rigor interpretativo, tendo ainda trabalhado na Companhia Rey Colaço Robles Monteiro e no Grupo Teatro Hoje (Teatro da Graça), integrando um repertório vasto em palcos como o Teatro da Graça, São Luiz, Nacional D. Maria II, entre outros”, lê-se no voto.
Ao longo das décadas seguintes, “manteve uma presença regular no cinema, teatro e na televisão, participando em diversas séries e telenovelas, tornando-se um rosto reconhecido do público português em trabalhos como “Tragédia da Rua das Flores” e a novela “A Impostora”, um dos seus últimos projetos”.
No cinema participa em filmes como “Sombras de uma Batalha” (1993), “Aparelho Voador a Baixa Altitude” (2002), “Coisa Ruim” (2006), “A Teia de Gelo” (2012) e “Axilas” (2016).
Paralelamente à carreira artística, exerceu funções como professora de Interpretação na Escola Superior de Teatro e Cinema.
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