Criadores apresentaram resultados da segunda edição das Residências Artísticas no Mosteiro de Seiça

Três criadores exploraram a memória, o património e as comunidades do território - e o silêncio do antigo mosteiro -, dando origem a novas obras e ao primeiro volume da coleção Cadernos Residenciais. As obras estarão patentes ao público até final de novembro. 

O Mosteiro de Santa Maria de Seiça apresentou publicamente, no passado sábado, 17 de outubro, os trabalhos resultantes da segunda edição do Programa de Residências Artísticas, realizada em agosto. 
A sessão contou com a presença, para além dos três artistas residentes - Andrea Inocêncio (artes visuais), Andreia C. Faria (escrita) e Luís Bittencourt (música e arte sonora) -, da vereadora da Cultura, Cláudia Rocha, de representantes da Junta de Freguesia do Paião e público em geral.  Os artistas partilharam os seus processos criativos e a experiência de trabalho no monumento e no território envolvente, em diálogo com a história local e as comunidades de Seiça.
Da alfaiataria tradicional à memória da indústria do arroz, as experiências artísticas cruzaram diferentes linguagens e formas de interpretar o património, envolvendo também membros da comunidade, entre os quais um alfaiate e um mestre carpinteiro de barcas de arroz.

Desta residência resultaram, entre outros trabalhos, Cohabitare, de Andrea Inocêncio, instalação que evoca a relação entre o monumento e as cegonhas que nele encontraram habitat, e Celestian Ricenances, de Luís Bittencourt, uma instalação performativa que transforma a pedra, o metal, o arroz e a água em matéria sonora.
Andreia C. Faria desenvolveu, por sua vez, «Notas para uma Noite de Estreia. Sobre alguns dias de residência em Seiça», pequeno livro que a Divisão de Monumentos Históricos (DMH) do Município da Figueira da Foz publica em edição limitada e de oferta gratuita, inaugurando a coleção Cadernos Residenciais, que deverá ter continuidade em futuras edições do programa.
Para Sónia Pinto, chefe da Divisão de Monumentos Históricos, que moderou a conversa com os três criadores, «estas práticas artísticas, marcadas pela experimentação, pela investigação, pelo diálogo com o território, promovem o Mosteiro como espaço de criação, de várias linguagens. Foi muito interessante, este cruzamento entre literatura, artes visuais e paisagens sonoras».
As instalações Cohabitare e Celestian Ricenances, bem como o livro de Andreia C. Faria, podem ser descobertos no Mosteiro até 30 de novembro próximo.

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