A Figueira da Foz celebra o Património com uma programação cultural que cruza memória, criatividade e participação.
Ao reunir propostas destinadas a diferentes públicos e ao cruzar linguagens tão distintas como a fotografia, as artes visuais, a criação urbana, o desenho e a exploração dos documentos de arquivo, o Município da Figueira da Foz pretende reforçar uma ideia de património enquanto realidade viva, dinâmica e em permanente construção.
As Jornadas Europeias do Património constituem, assim, uma oportunidade para revisitar lugares, símbolos e memórias, mas também para lhes acrescentar novos significados através do olhar e da criatividade das comunidades.
Num ano em que se assinalam 144 anos sobre a elevação da Figueira da Foz a cidade, celebrar o património é também celebrar a própria cidade: a sua história, os seus espaços, os seus símbolos e, sobretudo, as pessoas que lhe dão continuidade e sentido.
A Figueira da Foz assinala as Jornadas Europeias do Património 2026 entre os dias 18 e 27 de setembro, com um programa diversificado que convida a comunidade a conhecer, interpretar e celebrar o património do concelho através da arte, da memória, da fotografia, do desenho e da participação coletiva.
Promovida pelo Departamento de Cultura do Município da Figueira da Foz, a programação resulta do trabalho conjunto da Divisão de Museus e Núcleos, da Divisão de Biblioteca, Arquivos e Auditório e da Divisão de Monumentos Históricos, propondo diferentes formas de «Reviver, resistir, reinventar» o património, aproximando-o dos cidadãos e chamando a atenção para a importância da sua proteção face às mudanças sociais e climáticas.
Este ano, as Jornadas assumem ainda um significado particular por coincidirem com a evocação da elevação da Figueira da Foz à categoria de cidade, ocorrida a 20 de setembro de 1882, efeméride que integra simbolicamente a programação e constitui uma oportunidade para revisitar a história, a identidade e os sinais patrimoniais que moldam a cidade.
O programa arranca no dia 18 de setembro, com as oficinas «O Brasão da Figueira da Foz», que decorrem até dia 26, no Museu Municipal Santos Rocha. Dirigidas a crianças e jovens, famílias e comunidade em geral, estas oficinas partem do brasão representado em calçada portuguesa em frente aos Paços do Concelho, enquanto elemento de identidade local. A proposta é descobrir o significado destes símbolos e, simultaneamente, reinventá-lo através de novas linguagens e expressões contemporâneas, estabelecendo uma ponte entre património, tradição e criatividade. As oficinas requerem inscrição prévia: servico.educativo@cm-figfoz.pt
No dia 19 de setembro, o Quartel da Imagem recebe a oficina artística «PA-TRI-MÓ-NIO», uma proposta da Divisão de Bibliotecas, Arquivos e Auditório, em parceria com a FlagranteTítulo - Associação Cultural, que convida os participantes a celebrar o património da cidade de forma experimental, recorrendo a materiais fotográficos provenientes do arquivo e da Sala Figueirense. Desenho, assemblage e desenho gráfico serão algumas das ferramentas utilizadas para explorar e reinterpretar a memória patrimonial, permitindo que se reviva e reinvente o património através da fotografia. A atividade, gratuita, decorre em duas sessões, das 11h00 às 12h30 e das 14h00 às 15h30, destinando-se ao público em geral, a partir dos seis anos.
No dia 20 de setembro, data que evoca a elevação da Figueira da Foz a cidade, o Museu Municipal Santos Rocha inaugura, às 15h00, a exposição «Geometrias de Pedra — Calçada Portuguesa. Fotografia de Bruno Veiga».
Através da lente de Bruno Veiga, a calçada portuguesa transforma-se numa paisagem visual, revelando formas geométricas, curvas, linhas e composições que, apesar de integrarem o quotidiano da cidade, podem assumir novas dimensões quando observadas com atenção. A exposição propõe, assim, um novo olhar sobre um património que está literalmente debaixo dos nossos pés.
A exposição ultrapassa o Museu Municipal e manifesta-se no exterior. Ainda no dia 20 de setembro, pode assistir-se à criação artística «Pedras ao alto», na Esplanada Silva Guimarães, pelas 17h00. Uma intervenção do jovem artista Carlos Hypart inspirada nos padrões da calçada portuguesa. A proposta leva este elemento patrimonial para o território da arte urbana, reinterpretando-o numa linguagem contemporânea e estabelecendo uma ligação entre tradição, espaço público e street art.
O programa encerra com uma jornada dedicada ao desenho de observação. No dia 26 de setembro, a Divisão de Monumentos Históricos promove o encontro «Urban Sketchers — Desenhar o Património», em parceria com os Montemor Sketchers. A participação no encontro é gratuita, contudo, sujeita a inscrição através de casa.paco@cm-figfoz.pt
A iniciativa propõe uma experiência de contacto direto com o património arquitetónico da Figueira da Foz, através de uma visita guiada e de períodos de desenho livre em dois monumentos emblemáticos do concelho: o Paço de Maiorca e a Casa do Paço. Mais do que observar, esta proposta convida a desenhar para olhar, olhar para compreender e compreender para valorizar, colocando os participantes perante o património enquanto objeto de descoberta e criação.
O encontro começa no Paço de Maiorca, entre as 10h00 e as 13h00, prosseguindo na Casa do Paço, entre as 14h30 e as 18h30.
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