«Do Inferno ao Mosteiro – Diabos à Solta em Seiça» é a exposição que se encontra patente no Mosteiro de Santa Maria de Seiça, no Paião.
Composta por 176 peças da coleção particular de José Santos Silva, a mostra, que cruza artesanato figurado, imaginário popular e património cultural e pretende estabelecer um diálogo provocador entre o sagrado e o profano, entre o silêncio monástico e a irreverência etnográfica, foi inaugurada pela vereadora da Cultura, Cláudia Rocha, tendo marcado também presença, para além de inúmeros convidados e amigos do colecionador, o vereador Manuel Domingues e a vereadora Olga Brás.
Instalada no mosteiro cisterciense — hoje espaço requalificado e afirmado como polo cultural do concelho — ficará patente ficará patente até 28 de junho e poderá ser visitada de quarta-feira a domingo, das 14h00 às 18h00.
Santos Silva, que frisou não ter “nenhum pacto com o diabo”, agradeceu à Câmara Municipal e deu nota que o que se pode ver na exposição “é figurado de Barcelos”, “embora tenha posto gente de todo o país a fazer-me diabos”, referiu.
O colecionador, que passou quase meio século a montar exposições, referiu que esta não é uma exposição bem feita e que “para termino de carreira”, uma vez que é o seu último ano de serviço – o mesmo é funcionário da autarquia e está a atingir a idade limite de trabalho na função pública-, “está muito mal montada, está apinhada”, o que justificou com a sua necessidade de não excluir nenhum autor, embora tenha dado mais “primazia a alguns pela sua história e pela sua qualidade”.
A inauguração foi antecedida de um momento performativo da peça «Monólogo do Diabo», interpretada por Luís Ferreira, que ampliou a dimensão narrativa e simbólica da exposição.
A mais de centena e meia de peças em exposição, trabalhadas em barro, madeira e outros materiais e de artesãos de diferentes latitudes nacionais, dão corpo a «seres travessos e enigmáticos» que povoam o imaginário tradicional português.
De acordo com o colecionador e também autor de algumas das peças expostas, José Santos Silva, a coleção “presta homenagem às tradições populares e à magia que envolve as nossas criaturas míticas, desafiando os limites entre a arte e a cultura”.
Esta exposição, segundo a autarquia figueirense, “é mais uma iniciativa do Município da Figueira da Foz, que reforça a estratégia de programação cultural do Mosteiro de Seiça, Monumento Nacional, assumindo-o como lugar de memória, mas também de criação e reflexão contemporânea”.
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