Fealdade!

Conheço pessoas, muitas infelizmente!, que estão presas no único circuito que percorrem na sua vida. Caminham da sua mente que lhes mente perversamente, para o vórtice negro do seu negro umbigo. Elas alimentam-se da fealdade que geram no negrume dos seus repetitivos e maus pensamentos baços, sem brilho, sem beleza nem bondade.
São egocêntricos que vivem envenenados nos sentimentos que geram e de que se alimentam abundantemente. São prisioneiros de si próprios. Autofágicos e autossuficientes, consomem-se e reciclam-se a si próprios num viciado círculo sem princípio nem fim.
São perigosíssimos porque, contrariamente ao veneno das cobras, para o seu veneno não existe nenhum antídoto! São invariavelmente muito vaidosos e banham-se perdidamente no lodaçal do seu privativo pântano narcísico...
Cuidado! Apenas a prudente distância e o completo e asséptico desprezo se mostram minimamente eficazes na protecção contra tais mostrengos...

• Suzana
Eram lindos!, eram cativantes... e o seu sempre maravilhoso azul rivalizava com o azul lindo do céu nos dias mais lindos...
O extremo estrabismo quebrava o encanto daqueles olhos... e atraía ainda mais os olhos dos outros... e, por isso, se incomodavam tanto aqueles... que se defendiam escudando-se na rebeldia e na confrontação...
Quem conseguia penetrar aquela carapaça defensiva, encontrava na Suzana um ser maravilhoso, sensível, dócil, muito doce, muito, muito doce e uma admirável inteligência.
Era maravilhoso disfrutar da amizade da Suzana. Poucos a mereceram... menos ainda foram os que a cativaram... Como um animal acossado, ela afrontava a vida e a maioria das pessoas.
Um dia..., numa das muitas perigosas e traiçoeiras curvas da vida ela estampou-se de frente com aquele maldito pó branco. Foi muito grave! Sofreu ferimentos irremediáveis dos quais nunca mais conseguiu recuperar e que se tornaram na causa directa da indigência física e moral que lhe abreviou dramaticamente a vida...
Perdi a amiga mais linda e maravilhosa que tive. Estou absolutamente convencido que aquele maldito estrabismo foi determinante para este trágico desfecho... ele foi o gatilho!
Por vezes, as provas com que a vida nos põe à prova, são-nos provas demasiado fortes..., são provas tão dolorosas que nem sempre as conseguimos ultrapassar. Como te compreendo tão dolorosamente bem..., querida Suzana! Até um dia..., até que nos encontremos outra vez...

• Peão, Rei ou Rainha?...
Às vezes dou comigo pensar! Às vezes penso! Serei Rei, Rainha ou tão somente Peão? Serei Peão peão, Peão rei, Peão rainha, Rei peão, Rainha peão, Rei rei ou Rainha rainha? O que sou eu deveras?...
Afinal como é que me joga a vida no seu tabuleiro? Serei um peão hábil de avanços curtos e rectos de casa branca para preta ou vice-versa e muito raramente "en passant"?
Serei um mero peão que para me "alimentar" tenho que infringir na diagonal a coluna doutro peão? Basto-me com peões ou como também Torres, Cavalos, Bispos ou a Rainha..., a ponto de meter em cheque ou em mate... o seu "desonrado" Rei?
Serei nesta vida assim jogada um mero estorvo; um bloqueador; um sacrificado ou um engodo?...; Serei determinante na estratégia?; Atingirei a oitava casa e noutra pedra me transformarei?...
Como é tão complicado este xadrez da vida disputado sobre casas pretas e brancas aparelhadas que, dependendo da perspectiva, se cruzam em linhas, colunas e diagonais em apenas sessenta e quatro confinadas!
Às vezes, muitas vezes... sinto-me mero joguete, sinto-me "peça" de caprichosos intentos, sinto-me um sem-abrigo sem casa preta ou branca, jogado sob leis fixas e impiedosamente duras... Maldito jogo que me empurram a jogar mesmo sem eu querer!

Às vezes dou comigo pensar! Às vezes penso! Serei Rei, Rainha ou tão somente Peão? Serei Peão peão, Peão rei, Peão rainha, Rei peão, Rainha peão, Rei rei ou Rainha rainha? O que sou eu deveras?... neste jogo que jogo forçado?...

• Pensamento Vectorial!
Acusam-me frequentemente de possuir um pensamento "vectorial", acusam-me de ter um pensamento estruturado em setas rectas dirigidas à mouche no centro do alvo plasmada! Sou obrigado a concordar e dar razão a quem reclama tal razão!
Mesmo quando estou galacticamente abstraído, nunca desenho figuras nem "rodriguinhos", não emaranho os meus pensamentos em rendilhados com ou sem fim...; Sou objectivo, traço setas em rectas desenhadas e quando desisto..., desisto! Desisto do que for ou de quem for e, então traço um risco como escrevi no poema:
Tracei um risco!

Tracei um risco,
um risco firme,
seguido e longo...

Tracei um risco sobre ti, "pisco"!
Tracei um risco sem rir-me!
Tracei um risco seguido e...ponto!!

E..., também quando piso acidentalmente "caquinha", "caca" ou até mesmo merda... fico fulo, fico enojado..., mas jamais volto atrás por muito irado ou frustrado que fique, nunca volto atrás para repisá-la. Não! Pelo contrário! Sigo em frente! Sigo o meu caminho, sigo de costas voltadas!!! Nunca olho para trás... Sou assim! É o meu mau feitio! Tenho um pensamento estruturado em setas rectas dirigidas à mouche no centro do alvo plasmada!

 

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