Santana Lopes propôs Medalha da Cidade a Marcelo, mas este recusou (atualização)

O presidente da Câmara da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, manifestou hoje ao Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa a intenção de lhe atribuir a Medalha da Cidade, mas o chefe de Estado recusou.
A intenção foi suscitada durante a visita de Marcelo ao parque de campismo municipal da Figueira da Foz, para conhecer os estragos provocados pela depressão Kristin, que levou à queda de mais de 160 árvores (com outras 40 em risco de tombar), danificando as redes de água e esgotos e destruindo três balneários e dois ‘bungalows’.
Na ocasião, perante os jornalistas, o autarca pediu a presença dos vereadores que foram à visita do PR (para além dos cinco da maioria camarária, apoiada pelo PSD e CDS-PP, estavam também os dois eleitos do PS, mas não o único eleito do Chega), tendo sustentado que Marcelo não sabia previamente do gesto.
“Sob palavra de honra, o senhor Presidente da República não faz rigorosamente nenhuma ideia, vejam a cara dele, que ele está assustado”, brincou Santana Lopes, antes de garantir já não ser ‘enfant terrible, só terrible’.
“Sempre jovem”, retorquiu Marcelo.
Ato contínuo, Santana Lopes disse ter falado com os vereadores da oposição (à exceção do vereador do Chega, que disse à Lusa desconhecer a intenção da oferta da Medalha de Honra da Cidade) e os da maioria.
“Todos estamos de acordo em que a cidade lhe queira atribuir a Medalha de Honra da Cidade, antes que o senhor Presidente saia [de funções]”, anunciou Santana Lopes, perante Marcelo, que avisou logo que não aceita “em nenhum município”.
“Mas nós queremos atribuir-lhe. O senhor Presidente esteve connosco em Seiça [na inauguração das obras de requalificação do Mosteiro], esteve cá nas tragédias com pescadores, na legislação, muitas vezes, teve cuidado com a Figueira, não deixou a Figueira ser prejudicada e cá está outra vez”, insistiu Santana Lopes.
“Se for, fica para mais tarde, quando eu for velhinho”, condescendeu o chefe de Estado, com uma gargalhada.
“Obrigado, fico muito grato, mas não aceitei nenhuma”, rematou Marcelo Rebelo de Sousa.
Na Figueira da Foz, além do parque de campismo, Marcelo Rebelo de Sousa visitou a rua do Pinhal, onde se situa o edifício da antiga Universidade Internacional (que estava a ser reconvertido para centro de formação do IEFP), e sofreu danos elevados, a exemplo de algumas casas em redor.
A visita inclui também a Zona Industrial da Gala, concretamente a empresa de derivados de resina United Resins, que viu metade do seu armazém e 80% do seu parque fotovoltaico destruídos.

Foto CMFF (arquivo): O Presidente da República esteve apresentou condolências às famílias dos pescadores falecidos no naufrágio na embarcação de pesca «Virgem Dolorosa” (2024)

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