HAVERÁ ALGO QUE NOS ESCAPA?

Quem sofre de doença aguda e vê o seu estado de saúde arrastar-se sem melhoras, é natural e perfeitamente compreensível que procure soluções alternativas ao tratamento que lhe vem sendo ministrado.
A Figueira da Foz padece de várias doenças, uma delas, muito grave, relacionada com questões de ordem ambiental, mais precisamente, um problema de erosão costeira, devido ao impedimento da passagem de areias que se acumulam a Norte e não chegam aos pontos carenciados a Sul, flagelo que muito tem contribuído para um gradual e acentuado assoreamento da Barra do Porto, assim como, na desfiguração da praia da cidade, um ícone da região, cada vez mais esquecida pelos roteiros turísticos.
Tal estado de enfermidade perdura há décadas, causando um efeito devastador na economia local, impedindo o seu desejável crescimento.
Perfeitamente diagnosticada a maleita (necessidade premente de transposição das areias retidas a norte para sul), desde há muito que se vem insistindo na mesma terapia, assente em dragagens, ripagens e aplicação de betão e pedra na linha de costa, sem resultados positivos aparentes, bem pelo contrário.
Grupo de técnicos e cientistas apontam uma saída alternativa através da implementação dum by pass (vide o Relatório do Grupo de Estudo Para o Litoral 2015 - www.apambiente.pt/ajaxpages/destaque.php?id=552-), uma tecnologia já testada e utilizada com sucesso noutros pontos do globo que executa e monitoriza a transposição das areias, controlando mecanicamente aquilo que deveria ser o seu percurso natural.
Ao ser assegurada artificialmente a transferência das areias, tornar-se-ia possível refazer a zona de costa afectada, desassorear a barra, bem como, encurtar a praia. Isto é, duma assentada, eliminava-se o problema ambiental, assegurava-se a segurança/desenvolvimento do porto e restituía-se a tão necessária atractividade turística à emblemática praia.
Contudo, antes do mais, importa realizar o dito estudo, de forma a comprovar a efectiva eficácia do famigerado by pass, que a confirmar-se, operaria, seguramente, uma clara mudança de paradigma, pondo termo a um longo ciclo de milhões de euros “derretidos” em operações de larga escala de dragagens, ripagens e empreitadas de obra de betão e pedra na linha de costa, sem fim à vista.
Por enquanto mantém-se o impasse. O governo central apesar dos relatórios técnicos e da Recomendação aprovada pela Assembleia da Republica continua a fazer orelhas moucas e não avança com o estudo, mantendo orçamentado e projectados os infindáveis milhões de euros do erário público para futuras dragagens, ripagens e empreitadas de obras na costa litoral. Por seu turno, o responsável máximo da autarquia declara publicamente que não se opõe ao estudo mas não toma qualquer iniciativa sobre o mesmo, justificando que não é da competência do município (!?), como se um assunto desta dimensão não tivesse qualquer importância ou impacto em termos locais.
Como curiosidade, refira-se que o valor do estudo do by pass ronda os cem mil euros, o montante aproximado e correspondente à famosa campanha promocional há pouco tempo lançada pela Câmara Municipal onde figuravam uns polémicos out doors…
Quem receia o estudo? Haverá algo que nos escapa?

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