Cabedelo vai deixar de ter Parque de campismo

Imagem: Google Maps

Miguel Babo, vereador eleito pelo PSD, propôs esta tarde, em reunião de Câmara, a suspensão parcial da obra do projecto de infra-estruturas e espaços que pretende requalificar a zona do Cabedelo, na freguesia de S. Pedro. E fê-lo por discordar da génese do projecto, adiantando contudo que a bancada que representa, apesar da posição, “está disponível para colaborar no sentido positivo de que obra se faça bem”.
Certo de que a praça projectada e a questão da acessibilidade devem ser revistas, defendeu a entrega de um novo caderno de encargos ao empreiteiro que mencione todas as alterações, para que mais tarde não possa reclamar das intervenções a efectuar.
João Ataíde sublinhou que “este projecto faz parte do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano que está atrasado e que gostaria de ver concluído. Estamos a lutar contra o tempo, este é um projecto já apresentado, discutido e aprovado genericamente”.
Para o presidente da Câmara, “não temos nada a ver com o projecto da APA (Agência Portuguesa do Ambiente), que é de execução pública. A APA apresentou um projecto de protecção de erosão costeira que se compatibilizou connosco. Mais tarde verificou-se, pela associação cívica (SOS Cabedelo), que poderia pôr em causa a onda. Sendo nossa intenção a valorização da onda, seria estulto pôr em causa o projecto com construção de muro de betão, pelo que o que temos é a redução parcial da praceta, da parte da confluência do paredão com o molhe”.
Sobre eventuais reclamações do empreiteiro, o edil garantiu a vereação da oposição estar na posse de uma declaração, do adjudicatário, no qual atesta o conhecimento da alteração”.
Miguel Babo referiu ainda que “este projecto tem um erro gravíssimo e crasso, não foi feita a contagem do estacionamento”, deixando também expressas dúvidas sobre a questão do enchimento de areias que, na sua opinião, deverias recorrer ao modelo do bypass.
“Sempre quisemos acautelar a defesa do surf, por isso vamos apresentar um projecto alternativo que garanta também a defesa de pessoas e bens. O valor da obra é 2,6 milhões de euros e o que está em causa (a praça) não ultrapassa os 100 mil euros, um valor que será reduzido. Nunca iríamos pagar uma intervenção que não será feita”, considerou João Ataíde para quem “estou disponível para ver a bondade do projecto, mas enquanto não for feito o bypass, pugnarei pela transferência permanente de areias”.

No seguimento destas explicações, a vereadora Ana Oliveira questionou o executivo sobre o futuro do actual parque de campismo do Cabedelo.
“A ideia é o parque de campismo sair, conforme previsto no regime de concessão e é isso que vamos pedir ao Porto. Entendemos ser este um espaço demasiado nobre para estar alocado a uma estrutura de campismo”, respondeu João Ataíde.
“Ainda que não tenha um estudo, parece-me ser este o parque de campismo mais activo o ano inteiro, é importante dar uma palavra às pessoas que lá trabalham”, justificou a vereadora do PSD.
“Dissemos em julho ser nossa intenção que o Porto cessasse a concessão, que acaba em dezembro de 2017. Prefiro que seja um espaço de utilização pública, dedicada à modalidade do surf, e não que tenha uma ocupação à revelia de qualquer estratégia que ali se mantenha. Não vemos vantagem naquele parque de campismo, um espaço que estrategicamente está mal ocupado”.
Miguel Babo recordou que o projecto de delimitação de Área de Reabilitação Urbana (ARU) dava como “transição razoável” a recolocação do parque de campismo salientando que “as pessoas que alimentem esta actividade (do surf) também frequentam o parque de campismo. A praia tem uma cultura própria, a popularidade deste parque é feito deste património cultural e vivência”.
Uma posição que não colheu a concordância de João Ataíde: “o espaço delimitado na ARU fica comprometido com este projecto de protecção à erosão costeira. Afectar esta área a um parque de campismo é redutor, é curto. Não quero que as partes nobres da cidade sejam ocupadas pelos parques de campismo e construir um parque de campismo numa zona sensível de erosão costeira não me parece prudente. O parque de campismo não faz qualquer sentido, quero aquele espaço aberto e aproveitado pelo maior número de pessoas”.

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