Edifícios e jardins da Quinta das Olaias vão ser abertos ao público

O Município da Figueira da Foz tem vindo a lançar diversas empreitadas no âmbito PEDU (Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano) que teve por base “um diagnóstico realizado à cidade no qual foram elencados vários problemas a resolver e as devidas acções a tomar para o efeito, visando a valorização urbana com reabilitação de edifícios, qualificação de espaço público, estruturação urbana e revisão de mobilidade com o objectivo de reforçar a vivência do quotidiano”.
A empreitada de «Intervenção na Envolvente da Quinta das Olaias» contempla o estabelecimento de ligações pedonais ao parque verde das Abadias, junto à EB1 das Abadias, a norte da Quinta das Olaias e a reformulação do cruzamento entre a Rua Fernandes Coelho com a Rua Visconde Marinha Grande e Rua da Graça.
Segundo a autarquia, com este projecto “pretende-se reforçar a rede pedonal e/ou melhorar a relação peão vs automóvel bem como criar permeabilidade entre o edificado habitacional e outros equipamentos, como o Centro de Artes e Espectáculos, a Escola Secundária Dr. Bernardino Machado, o Jardim Escola João de Deus, vários espaços de lazer existentes na zona, incluindo o parque verde das Abadias”.

“Queremos abrir os portões da Quinta para que se possa usufruir deste espaço público com acessos mais rápido ao CAE e Museu, para que todos possam conhecer o espaço”, refere o presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz.
Sobre esta intervenção, adianta Carlos Monteiro, “o jardim terá uma importância histórica, foi pedido aos técnicos para desenvolver um projecto precisamente com essa importância”. Este jardim interior será assim alvo de uma requalificação que inclui a instalação de peças de mobiliário urbano.

“Tratam-se de espaços públicos que devem ser fruídos, abertos e visitados. Esta empreitada contempla a assinatura de um protocolo com Carlos Reis, neto de João Reis, que visa o acesso aos quadros pessoais que irão valorizar a exposição que já temos e que vão ser colocados na Quinta”, salienta o edil.
Neste particular, conforme explicou Fernando Cardoso, Chefe de Gabinete, a autarquia é proprietária de 12 obras de João Reis a que se juntam perto de outras sete dezenas da família do artista e ainda alguns mais, de colecções privadas, que em modelo de rotatividade também poderão vir a figurar nesta exposição.

Também a vice-presidente da autarquia, Ana Carvalho, explicou que além do regulamento respeitante ao usufruto exterior e interior do espaço, “pretendemos criar regras para a utilização edifícios, chalé e casa, e permitir fazer uma visitação ao andar de baixo que está decorado e mobilado. O andar de cima já foi reabilitado, recebendo a exposição das obras de João Reis”. Resumindo, “queremos regularizar tudo, desde a ocupação e utilização, passando pela visita de jardins e edifícios, mas de forma regulada”.
A Quinta das Olaias deverá abrir portas ao público já durante o próximo Verão.

IMÓVEL

A Quinta das Olaias localiza-se no centro da cidade da Figueira da Foz. A casa é composta por três corpos justapostos, o primeiro retangular, ao qual se justapõe um segundo corpo em L, e o terceiro de planta rectangular ligeiramente irregular, que se encaixa neste último.
O edifício principal apresenta um longo frontispício dividido em dois pisos, separados por friso, com a fachada tardoz exibindo um terceiro piso, correspondente à cave.
A fachada principal abre para o jardim da casa, com os andares marcados pela disposição simétrica de vãos. No piso térreo foram abertas dez janelas retangulares, intercaladas por três portas de entrada em arco semicircular antecedidas por escada de pedra.
No andar nobre foram rasgadas treze janelas em arco de volta perfeita, no eixo das aberturas inferiores. O remate do corpo edificado é percorrido, em todo o seu perímetro, por uma balaustrada de cantaria, com urnas sobre os acrotérios.
O alçado lateral esquerdo, também marcado pela abertura regular de janelas nos dois pisos, é marcado pela disposição de uma escadaria de acesso ao andar nobre, constituída por dois lanços que se desenvolvem sobre um arco de passagem.
No interior conservam-se os tetos em estuque decorados por motivos de concheados e rendilhados, entre os quais se destaca uma alegoria à Caça e à Música.
Para além desta casa, encontra-se ainda no jardim um chalé, de telhados pontiagudos e vãos com verga em empena, inspirado na arquitectura nórdica.
A Quinta das Olaias foi edificada cerca de 1840 por José da Silva Soares, portuense que se radicou na Figueira da Foz e que foi um dos fundadores da Associação Comercial local.
Na segunda metade do século XIX a quinta seria vendida a Joaquim António Simões, cuja filha se casaria com António de Macedo Papança, conde de Monsaraz. Deve-se a este escritor e poeta a remodelação da casa principal a partir de 1888, data do seu casamento.
Inscrevendo-se no contexto romântico e revivalista da centúria de oitocentos, este imóvel é também valorizado pela sua importância histórica, uma vez que por aqui passaram grandes nomes da política e das letras do século XIX, entre os quais se destaca Júlio Dantas.
Em 1913, por morte de António de Macedo Papança, a casa foi herdada pelo seu filho, Alberto de Monsaraz (1889-1959), um activo participante do movimento «Integralismo Lusitano» que aqui reuniu outros membros deste grupo.
No ano de 1999 a Câmara Municipal da Figueira da Foz adquiriu a propriedade, construindo na zona de bosque da quinta o Centro de Artes e Espectáculos, projectado pelo arquiteto Luís Marçal Grilo e inaugurado em 2002.
Em 2005, a Quinta das Olaias era classificada como de interesse municipal.

(Catarina Oliveira - DGPC, 2019)

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