Ontem o presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, acompanhado pelos vereadores do executivo, visitou a intervenção em curso na Escola Secundária Dr. Bernardino Machado, no valor de 10 milhões de euros, com financiamento pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), sendo um milhão de euros suportado pela autarquia figueirense que aguarda o reajustamento do PRR até ao final deste ano.
Estiveram presentes Ana Rita Inês (diretora do Agrupamento de Escolas da Zona Urbana), Maria Isabel Biscaia (presidente do conselho geral do Agrupamento), Maria Simões (adjunta da direção com a responsabilidade da Implementação do Centro Tecnológico Especializado Industrial), Isidoro Martins (engenheiro e professor que esteve na base da planificação das obras de requalificação), Manuel Rascão Marques (presidente da Junta de Freguesia de São Julião) e vários dirigentes municipais.
A requalificação da escola, iniciada em 2025, obrigou à transferência provisória de alunos para as instalações da Escola Infante D. Pedro, em Buarcos, ambas pertencentes ao Agrupamento de Escolas Figueira Mar.
Conforme explicou o vereador Ricardo Silva, a empreitada em curso tem-se revelado “complexa e um enorme desafio”, dando como exemplo a necessidade de se rebaixar parte do piso para instalação de um novo refeitório/bar que terá passagem interior e não pela rua, como sempre foi. Reforço antissísmico, instalação de um elevador para melhor e maior mobilidade, novas oficinas e espaços mais funcionais (interiores e exteriores) fazem parte do programa de requalificação. A «nova» escola vai contar com um Centro Tecnológico Especializado dotado de maquinaria de última geração. No entanto, «berbicachos diários» - disse o vereador – levam a que as obras não possam ser concluídas até final deste ano.
Na visita Pedro Santana Lopes considerou que a Bernardino Machado “tem um papel fulcral no sistema educativo do concelho”.
A sua localização, inserida num polo educativo mais amplo, junto ao Campus Universitário e os seus novos laboratórios - instalados no edifício do antigo Terminal Rodoviário, ao futuro Centro de Formação do IEFP, a uma escola do 1º CEB e a um estabelecimento de ensino pré-escolar, reforçam a importância estratégica do investimento nesta área.
A vereadora da Educação, Olga Brás, justificou a intervenção neste equipamento pela falta de segurança e estabilidade referindo que “esta escola tem sido a oficina da nossa motivação”.
Obras de 50 milhões de euros
Segundo avançou o vereador Ricardo Silva, 50 milhões de euros é o valor das obras em curso no concelho da Figueira da Foz, com financiamento pelo PRR, essencialmente nos domínios da Saúde, Habitação, Ensino, Saneamento e Rodovia.
Trata-se de “fazer obras que dão nas vistas”, disse Pedro Santana Lopes, dando alguns exemplos de intervenções que visam melhorar o dia-a-dia das populações, como o futuro Centro de Saúde de Tavarede, novos pólos habitacionais, novas zonas industriais, a variante de Quiaios já em construção ou ainda a ponte que ligará Vila Verde a Alqueidão.
“Os investimentos só são bons se servirem muitas pessoas e gerações”, resumiu o presidente da autarquia figueirense.
História
A Escola Secundária Dr. Bernardino Machado remonta a sua história ao ano de 1888, tendo sido criada por decreto de 13/6/1888 com a inicial designação de «Aula de Desenho Industrial», começando a lecionar a 28 de outubro desse mesmo ano, assim se mantendo até 31/10/1889, data em que passou a denominar-se «Escola Industrial».
Conheceu ainda a designação «Escola Industrial D. Luís I» por decreto de 6/11/1889 para homenagear o monarca recentemente falecido. Em 1891, a escola havia de ser suprimida, mas um protesto continuado da população conseguiu recuperá-la junto do então ministro das Obras Públicas, Bernardino Machado, que a repôs em funcionamento, por Decreto de 20/10/1893.
A edilidade figueirense propôs o nome do ministro para patrono da escola, passando a chamar-se, até 6/4/1925, «Escola Industrial Dr. Bernardino Machado». Mudou ainda várias vezes de designação, tornando a perder o nome do patrono em 1928. Em 1930, aproveitou-se o facto de ter sido suprimida a Escola das Caldas da Rainha para se lhe pedir emprestado o nome de Tomás Bordalo Pinheiro (que nada tinha a ver com a Figueira da Foz ou com o seu estabelecimento de ensino) e a Escola foi designada «Escola Industrial e Comercial Tomás Bordalo Pinheiro».
Finalmente, depois de recuperar e perder sucessivamente os estatutos de «comercial» e «industrial», a partir de 2/2/1982, a velha escola figueirense recuperou a sua identidade e voltou a recuperar o nome do seu patrono Bernardino Machado.
Ao longo destes anos, a escola funcionou numas águas furtadas do edifício da Câmara Municipal, o que fazia com as salas de aulas não fossem as mais adequadas para satisfazer as exigências do ensino técnico, situação ainda mais agravada pela ausência de oficinas. Tornava-se urgente encontrar um espaço para as suas instalações. A solução adotada consistiu na aquisição pelo Estado, através de expropriação por utilidade pública, de um terreno pertencente ao Visconde da Marinha Grande, sogro de Gaspar de Lemos, entre as ruas da Bica, da Misericórdia e Fernandes Coelho, no local então designado de Pinhal.
O edifício, cujo projeto inicial foi da autoria do arquiteto Edmundo Tavares que, em finais de 1925, fora nomeado professor da Escola Industrial (lecionando a cadeira de Desenho Arquitetónico), levou mais de 10 anos a ser construído (as obras foram iniciadas em maio de 1926). A demora no acabamento deveu-se à interrupção das obras por falta de verba (em dezembro de 1926) e à confusão política que se sucedeu à queda da I República. No entanto, a relativa grandiosidade e complexidade do edifício, bem como alguns erros de conceção e execução, também contribuíram para o atraso.
Em finais do ano 1933, a Comissão Administrativa das obras foi demitida e foi nomeado o engenheiro António de Almeida Brito (então diretor do Porto da Figueira). Este apresentou um novo projeto para o edifício e da estrutura anterior só foram aproveitadas as paredes-mestras e parte da cobertura. Em 1937 o edifício principal, com suas salas e oficinas, estava concluído e a partir de 1940 totalmente mobiliado e equipado, pronto para receberem os 400 alunos que continuavam no edifício dos paços do concelho.
Um decreto de 1948 previa a construção de um anexo para oficinas (de serralharia, carpintaria e eletricidade) e instalações para Educação Física. Em 28 de maio de 1956, foi inaugurado um novo pavilhão, onde ficaram alojadas as novas oficinas e o ginásio da escola, que importaram em 5.200 contos e ocupavam uma área de 4.500 metros quadrados. As obras foram financiadas através de verbas inscritas no I Plano de Fomento.
A Escola Bernardino Machado está na origem do ensino técnico na Figueira da Foz e considerando a sua criação em 1888, pode afirmar-se que é uma das escolas mais antigas do país. Atravessou três séculos repletos de grandes acontecimentos históricos e acompanhou e contribuiu para a criação de uma cidade que se pode considerar bem integrada nos contextos sociais, culturais e económicos da atualidade. Ao nível arquitetónico importa referir que este edifício marca o início da modernização estética da cidade, que se verifica a partir de 1928 através da gramática Art Déco, introduzida na Figueira por Edmundo Tavares, e refletida no edifício da escola Industrial ao nível dos alçados, e que se repete em alguns traços na arquitetura local.
Desde 2012, a Escola Secundária Dr. Bernardino Machado é a sede do Agrupamento de Escolas Figueira Mar.
(Fonte: AEFM)
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