Incêndios: MAI diz que os fogos não podem ser uma fatalidade

O ministro da Administração Interna salientou hoje que o país não pode viver com a fatalidade dos incêndios rurais e tem de encontrar instrumentos para a combater, desde logo ao nível da prevenção e da gestão florestal.
“Para combater essa fatalidade da desgraça temos de trabalhar proativamente, com antecipação, numa floresta limpa, organizada, que cria emprego, riqueza e coesão territorial”, disse Luís Neves na Figueira da Foz.
O governante, que falava na sessão de encerramento do debate “Incêndios Florestais: O Fogo está a mudar – E nós?”, promovido pela Navigator Company, frisou que uma floresta cuidada e organizada do ponto de vista científico, com uma nova paisagem, “é o melhor antídoto para os grandes incêndios”.
Salientando que Portugal tem necessidade de fazer este caminho, o ministro da Administração Interna realçou “que os territórios mais seguros são aqueles onde existe uma prevenção contínua, gestão ativa e capacidade de intervenção precoce”.
“Vai levar anos, mas vamos fazer essa mudança de paradigma”, sublinhou.
Luís Neves referiu que em Portugal não “há lugar para amadorismos” e que a floresta tem de ser gerida de forma “multidisciplinar, sem barreiras, e como diz o Presidente da República, sem condomínios”.
Pegando no tema do debate, o governante garantiu que o Governo vai também mudar a forma de lidar com os incêndios, através de um trabalho “que exige antecipação, conhecimento, gestão ativa da paisagem, capacidade técnica e cooperação permanente entre entidades”.
No final do debate, em declarações aos jornalistas, disse que o trabalho de limpeza e desobstrução dos caminhos florestais e dos terrenos afetados pela depressão Kristin “está a ser feito da melhor forma possível em contrarrelógio, focados nos 22 concelhos onde a maior desgraça ocorreu”.
“Estamos muito satisfeitos com o caminho feito até agora. Agora que ninguém pense que por termos tido esta organização, de estarmos a trabalhar ininterruptamente com centenas de pessoas e dezenas de meios e máquinas que está tudo resolvido, porque não está”, alertou.
O governante voltou a apelar aos cidadãos e proprietários para fazer a sua obrigação de limpar em redor das habitações e das unidades industriais, e, no caso de não terem capacidade financeira, informarem as autoridades.
“Há o direito à propriedade privada e não podemos entrar nos terrenos das pessoas. Há mais de 40 milhões para alocarmos às Operações Integradas de Gestão da Paisagem e apoiarmos os privados”, referiu.

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