A papeleira Navigator defendeu hoje a revisão da legislação em vigor que limita a plantação de eucaliptos em Portugal, argumentando que a regulação do setor tem de mudar de um paradigma proibitivo para outro que fomente o investimento.
Numa intervenção hoje, na conferência “Incêndios Florestais: O Fogo Está A Mudar – E Nós?”, que decorreu na Figueira da Foz, o administrador executivo da Navigator, João Lé, elencou três prioridades para a floresta nacional: ganhar escala na propriedade rústica, aumentar a gestão ativa, apostando na prevenção e combate ao abandono dos terrenos e criar uma estrutura nacional de sapadores florestais profissionais, que assegurem prevenção e combate.
O administrador da Navigator – empresa que investe na fileira do eucalipto e possui um clube de produtores florestais com mais de 900 associados (em dois anos em meio, segundo dados hoje divulgados, representou um volume de negócios próximo dos 1.200 milhões de euros) - defendeu ainda que “nenhuma abordagem aos incêndios rurais pode ignorar a falta de escala, o abandono das terras e ausência de gestão que constituem fatores de risco relevantes”.
No contexto das prioridades para a floresta portuguesa, João Lé frisou ser “imperativo que a regulação nacional evolua de um paradigma puramente proibitivo e punitivo, para um modelo que fomente e incentive o investimento”.
A legislação em vigor, alterada na sequência dos incêndios de 2017, passou a proibir, embora com exceções, as ações de arborização de novas áreas de eucalipto, permitindo a rearborização de áreas onde a ocupação anterior já fosse de um povoamento puro ou misto dominante daquela espécie.
“Não podemos continuar reféns de um enquadramento legislativo que, ao limitar o investimento na floresta de produção, acaba por ser o maior catalisador do abandono”, vincou João Lé.
De acordo com o administrador executivo da Navigator, “uma lei pensada para bloquear não pode ser o instrumento” de que aquela fileira florestal necessita “para agir”.
“Portugal precisa, com urgência, de um RJAR [Regime Jurídico das Arborizações e Rearborizações] que seja um instrumento de fomento e não de bloqueio”, reafirmou.
O mesmo responsável defendeu ainda que uma eventual reforma legislativa promova, “por exemplo, a florestação de áreas de matos com potencial produtivo, integrando, de forma equilibrada, plantações de rendimento e espécies autóctones, em mosaicos resilientes e com gestão”.
Foto: CMFF
|
Inicie sessão
ou
registe-se
gratuitamente para comentar.
|

O «Figueira Na Hora» é um órgão de comunicação social devidamente registado na ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). Encontra-se em pleno funcionamento desde abril de 2013, tendo como ponto fulcral da sua actividade as plataformas digitais e redes sociais na Internet.
design by ID PORTUGAL