A sabedoria popular, envolvida num manto de conhecimento empírico e de saudável lirismo, foi dando-nos pérolas a que cada dia prestamos menos atenção.
O caso da BioAdvance é, claramente, um daqueles a que o célebre ditado se aplica na perfeição: o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita.
Já foi devidamente escalpelizado o conjunto aberrante de alegadas irregularidades que levaram à instalação cuja legalidade tem sido contestada de uma fábrica de combustíveis em pleno leito do Rio Mondego, bem como a notória leveza com que as autoridades nacionais e locais trataram um caso de tão manifesta gravidade.
A extraordinária capacidade de luta dos habitantes de Vila Verde — e não só — levou ao encerramento da fábrica, situação que se mantém na atualidade, mas que promete ser interrompida por um novo pedido de licenciamento que a APA, de forma absolutamente inacreditável, apadrinhou.
A Ministra do Ambiente, em resposta a uma pergunta efetuada pelos Grupos Parlamentares do Livre, BE e PAN, informou que o caso da BioAdvance se encontra em investigação. Cito: "Face à gravidade da situação e à possibilidade de ocorrência de ilícitos criminais, a IGAMAOT e a Polícia Judiciária (PJ) reuniram com o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Coimbra, com vista à eventual constituição de uma equipa de investigação conjunta."
Esta resposta foi enviada no passado dia 27 de novembro de 2025. Entretanto, surge já um novo pedido de licenciamento à APA. A ironia seria cómica se as consequências não fossem tão sérias.
O progresso é sempre bem-vindo — mas apenas quando construído tendo em conta o bem-estar dos cidadãos, da natureza e de todos aqueles que connosco habitam este pequeno planeta.
Portugal tem um histórico demasiado extenso e documentado de desastres que colocaram vidas e património em risco em nome do progresso que tudo justifica.
A BioAdvance não é progresso. É um fenómeno apadrinhado pela leviandade de processos e desrespeito pelas populações e meio ambiente.
A vida e o património dos Figueirenses exigem que o desmantelamento da BioAdvance seja um imperativo legal, material e moral.
O que nasce torto não se endireita — desmantela-se. E este é o momento de o fazer.
Gonçalo Mano
Porta Voz do Grupo Coordenação Local do Distrito de Coimbra do Partido LIVRE
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