A Região Metropolitana de Coimbra concluiu a segunda e última ação de translocação de lampreia-marinha de 2026 no rio Mondego, com a libertação de mais 32 exemplares no Louredo Natura Parque, em Vila Nova de Poiares.
Esta ação dá continuidade ao trabalho desenvolvido no âmbito do Life4Lamprey / Projeto DALIA, cofinanciado por fundos europeus, que representa um investimento de cerca de 100 mil euros e tem como objetivo apoiar a recuperação da população de lampreia-marinha na bacia do Mondego.
A operação, que teve lugar a 4 de maio, contou com a coordenação científica da Universidade de Évora, a colaboração da empresa de pesca Irmãos Norinho e o envolvimento de várias entidades parceiras, entre as quais a GNR, o ICNF e os municípios da Figueira da Foz, Montemor-o-Velho, Coimbra, Vila Nova de Poiares e Penacova.
Com esta nova libertação, e considerando as quatro ações realizadas desde 2025, duas no ano passado e duas em 2026, foram já translocadas 120 lampreias-marinhas para locais selecionados a montante do rio Mondego, próximos de zonas favoráveis à desova. A informação foi avançada durante a ação pelo vice-presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, Ricardo Cruz, que destacou também a importância de dar continuidade a este trabalho no futuro.
A translocação consiste na captura de lampreias em zonas de pesca profissional, nomeadamente na área da Figueira da Foz e do Baixo Mondego, e na sua libertação em locais considerados mais adequados para a reprodução e desenvolvimento da espécie. Esta intervenção pretende contribuir para a melhoria das condições ecológicas do ecossistema fluvial e para o reforço da presença da lampreia-marinha no rio Mondego.
A população de lampreia-marinha no Mondego tem vindo a diminuir nos últimos anos, devido a fatores como as alterações climáticas, em particular os períodos de seca, a existência de obstáculos naturais e construídos, intervenções no rio, o aumento de predadores marítimos e a pesca furtiva.
Mais do que ações pontuais, o projeto assenta numa estratégia integrada e continuada, que inclui captura, translocação, monitorização da espécie, identificação de áreas larvares prioritárias, ações de sensibilização pública e definição de orientações para uma gestão sustentável.
A componente pedagógica tem também assumido um papel relevante, com o envolvimento de escolas e crianças em ações de sensibilização, reforçando a importância da preservação da espécie e dos seus habitats naturais. A lampreia-marinha é não só uma espécie com elevado valor ecológico, mas também um recurso associado à identidade, gastronomia e turismo da Região de Coimbra.
Concluída esta fase do projeto Life4Lamprey, a Região Metropolitana de Coimbra pondera novas candidaturas que permitam assegurar a continuidade deste trabalho, sustentado por acompanhamento técnico e científico e orientado para uma recuperação progressiva e duradoura da lampreia-marinha no rio Mondego.
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