O Museu Municipal Santos Rocha (MMSR) promoveu, no fim-de-semana 17 e 18 de outubro, no âmbito da programação nacional da 5ª Semana Cultural nos Cemitérios, visitas comentadas ao Cemitério Setentrional da Figueira da Foz.
Pela primeira vez, este cemitério Romântico do século XIX, que se encontra já em processo de classificação para Conjunto de Interesse Municipal, foi apresentado como um espaço cultural que, para além da sua função primária, encerra em si um conjunto valioso de património artístico e humano, reunindo igualmente histórias individuais que são, afinal, a memória coletiva da cidade.
As visitas, comentadas por José Santos Silva e Marta Fernandes, técnicos da equipa do MMSR, contaram com cerca de 30 inscritos e proporcionaram a oportunidade de conhecer a evolução histórica deste espaço funerário, bem como o seu relevante património histórico, artístico, simbólico e arquitetónico. Do conjunto de cerca de 100 jazigos estudados pelas técnicas municipais, Maria José Gomes e Marta Fernandes, foram selecionados aproximadamente 20 para integrar o percurso das visitas.
Com raízes históricas, que remontam ao contexto da última invasão francesa, este espaço foi evoluindo ao longo do tempo, assumindo novas funções simbólicas e sociais e tornando-se um lugar de representação do poder económico e do prestígio de grandes famílias figueirenses.
A riqueza artística e arquitetónica dos jazigos constituiu outro dos pontos de interesse da iniciativa. Muitos destes monumentos testemunham a ambição de perpetuar a memória das famílias através de construções imponentes, concebidas também como sinais de distinção e prestígio social. A intervenção de construtores e arquitetos de renome contribuiu para a criação de um conjunto patrimonial de particular interesse, no qual a arquitetura e a escultura funerárias refletem a evolução dos gostos artísticos e das formas de representação social da época.
Através destes monumentos, foram apresentadas algumas das principais famílias da Figueira da Foz da época, dando a conhecer os seus percursos familiares, as formas de afirmação social e o papel que desempenharam na história da cidade.
As visitas dedicaram igualmente particular atenção à simbologia da arte funerária, outra característica dos cemitérios românticos. Os participantes tiveram oportunidade de conhecer o significado de diversos elementos decorativos e escultóricos, compreendendo como os monumentos funerários expressam sentimentos, e valores sobre a morte e a perpetuação da memória dos que partiram.
Estas primeiras visitas guiadas permitiram, assim, valorizar e divulgar um património muitas vezes desconhecido, evidenciando o Cemitério Setentrional como um espaço de interesse histórico, artístico e cultural, e de preservação da memória coletiva da cidade.
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