O Quartel da Imagem, na Figueira da Foz, acolheu, na tarde de ontem, a cerimónia de entrega do Prémio João Ataíde 2024, atribuído pela Região Metropolitana de Coimbra – Comunidade Intermunicipal (RMC- CI), e a apresentação da edição de 2026 da iniciativa.
A vencedora da edição de 2024 foi Joana Vanessa Ribeiro Bernardo Loureiro, docente universitária e investigadora, distinguida pelo projeto AtiVida, que aproxima a investigação científica das necessidades concretas das comunidades, promovendo respostas mais inclusivas e sustentáveis na área da saúde e do envelhecimento.
Na entrega da distinção, a presidente da RMC-CI Helena Teodósio, sublinhou que o Prémio João Ataíde pretende ir além do reconhecimento de um percurso individual, valorizando o impacto que o conhecimento, a criatividade, a inovação e o compromisso com os outros podem ter no desenvolvimento do território.
«Mais que reconhecer um percurso individual, pretende valorizar o impacto que o conhecimento, a criatividade, a inovação e o compromisso com os outros podem ter no desenvolvimento do nosso território», afirmou.
Helena Teodósio destacou ainda a relevância do projeto AtiVida numa região marcada por diferentes realidades territoriais e desafios demográficos, salientando a sua capacidade de aproximar a investigação científica das necessidades concretas das comunidades e de encontrar respostas mais inclusivas e sustentáveis.
Também o secretário executivo da RMC- CI felicitou a vencedora pelo seu espírito empreendedor, considerando particularmente importante o trabalho desenvolvido numa área de crescente relevância perante o envelhecimento da população europeia.
Joana Loureiro agradeceu a distinção, que considerou ter um significado especial não apenas pelo reconhecimento do seu percurso, mas também pelos valores que representa.
«Receber esta distinção, que perpetua a memória e o legado do Dr. João Ataíde, uma personalidade que dedicou grande parte da sua vida ao serviço público, às pessoas e ao desenvolvimento desta Região, representa para mim uma honra e uma responsabilidade acrescida», afirmou.
A premiada sublinhou que recebe o prémio «não como ponto de chegada, mas como um incentivo para continuar a investigar, ensinar, a cuidar e sobretudo procurar transformar o conhecimento em oportunidades concretas na melhoria da saúde e bem-estar das nossas comunidades».
Deixou ainda uma reflexão sobre o papel do conhecimento ao serviço da sociedade, defendendo que «o verdadeiro valor do conhecimento está naquilo que conseguimos fazer com ele em benefício dos outros».
Joana Loureiro reforçou também a importância de uma região que crie oportunidades para todos, independentemente da idade, da condição social ou do lugar onde vivem, assumindo o compromisso de contribuir, através da ciência, da enfermagem e da inovação, para uma Região de Coimbra «mais saudável, mais inclusiva e mais humana».
João Ataíde recordado como exemplo de proximidade, dedicação e serviço público
A memória e o legado de João Ataíde estiveram particularmente presentes nas várias intervenções da cerimónia, que evocaram o percurso de uma figura incontornável da vida pública regional e nacional, reconhecida pela sua dedicação ao serviço público e pela proximidade às pessoas.
Em representação da família, a filha, Sara Ataíde, agradeceu a homenagem, sublinhando a importância que o pai sempre atribuiu aos jovens, que considerava fundamentais para a construção do futuro.
Recordou que João Ataíde «sempre olhou para os jovens como o futuro, via neles o terreno onde se devia investir para que se pudesse florescer», acreditando numa sociedade construída através da criação de pontes entre gerações, capaz de valorizar as pessoas e de não deixar ninguém para trás.
A propósito do projeto vencedor, considerou que o AtiVida vai ao encontro da visão que o pai sempre defendeu, destacando tratar-se de «um projeto tão bonito que alia o novo à sabedoria dos mais velhos», aproximando gerações e reforçando o seu sentido de pertença.
Para Sara Ataíde, é particularmente gratificante verificar que «os valores em que o meu pai acreditava se encontram vivos e encontram continuidade em projetos que aproximam pessoas, criam oportunidades e constroem uma sociedade mais inclusiva».
Também o presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, que agradeceu à RMC- CI a realização da cerimónia na cidade, no Quartel da Imagem, uma obra de João Ataíde, destacou a singularidade do percurso do antigo autarca.
Assinalando a honra de ter sido seu antecessor e, agora, seu sucessor na presidência da Câmara Municipal, Pedro Santana Lopes salientou a capacidade de João Ataíde para, apesar de ter exercido funções em diferentes poderes do Estado, manter sempre uma relação próxima com as pessoas.
«Se há legado que o Dr. João Ataíde deixou, para além do seu trabalho, da sua seriedade, da sua competência, foi dessa estima, desse apreço, dessa consideração, desses laços que as pessoas me contam», afirmou, destacando também a informalidade que caracterizava os seus contactos com a população.
Helena Teodósio recordou igualmente João Ataíde como uma «incontornável figura da vida pública», cujo percurso ficou marcado pelo compromisso, pelo serviço público, pelo desenvolvimento do território e pela valorização das pessoas.
«Recordar João Ataíde é também recordar uma forma de estar na vida pública assente na proximidade, na dedicação e na convicção de que o desenvolvimento de uma região se constrói através da cooperação, do diálogo e da capacidade de encontrar respostas para os desafios das comunidades», afirmou.
Por seu lado, Jorge Brito salientou que o Prémio João Ataíde representa «o celebrar a vida, o percurso e o legado que nos deixou», sublinhando a importância de manter viva a memória de personalidades que marcaram a Região de Coimbra.
Inteligência Artificial ao serviço das pessoas é o tema da edição de 2026
A cerimónia ficou também marcada pela apresentação da edição de 2026 do Prémio João Ataíde, cuja área temática será «A Inteligência Artificial ao serviço das pessoas».
As candidaturas abrem no próximo mês de dezembro e a iniciativa pretende distinguir e valorizar iniciativas, estudos e projetos que explorem o potencial da Inteligência Artificial na resposta aos desafios regionais, através do desenvolvimento de soluções concretas para o território, com potencial de aplicação e replicação nos municípios da Região de Coimbra.
Na apresentação, Jorge Brito considerou o tema particularmente pertinente, tendo em conta os impactos atuais e futuros que a Inteligência Artificial tem na vida das pessoas e das comunidades.
A edição de 2026 pretende, assim, «valorizar as iniciativas, os estudos, os projetos que respondam a desafios regionais», promovendo soluções de resposta para o território com potencial de replicabilidade nos municípios da Região de Coimbra.
O secretário executivo deixou ainda um apelo aos órgãos de comunicação social para que contribuam para «amplificar a iniciativa que em muito valoriza a Região de Coimbra e o legado de João Ataíde».
Através deste prémio, a RMC- CI mantém viva a memória de João Ataíde, associando o seu nome ao reconhecimento do mérito, da inovação e de projetos que colocam o conhecimento e as pessoas no centro do desenvolvimento regional.
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