No Dia do Porto da Figueira da Foz, que assinalou também os 60 anos da construção dos molhes, o presidente da Câmara reclamou esclarecimentos sobre a compensação financeira devida pela EDP ao município e exigiu à administração do porto da Figueira da Foz que conte «toda a história» do processo Bioadvance.
O Porto da Figueira da Foz assinalou esta sexta-feira, dia 30 de outubro, o seu dia e os 60 anos da inauguração dos molhes, em 1966, com uma cerimónia em que a entidade homenageou trabalhadores com 10, 30, 35, 40 e 45 anos de serviço.
A sessão contou com a presença do presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, dos vereadores do executivo municipal, de representantes da comunidade portuária, entidades civis e militares, e autarcas do concelho.
Na intervenção de encerramento, Pedro Santana Lopes aproveitou a ocasião para abordar dois assuntos que considera fundamentais para o futuro do concelho: a compensação financeira de cerca de 20 milhões de euros que, segundo afirmou, a EDP deveria ter atribuído ao município, e o processo Bioadvance, instalado na zona portuária.
«São 20 milhões de euros que, ao que parece, ninguém sabe, ninguém faz a mínima ideia», afirmou o autarca, referindo-se à compensação relativa à Central Termoelétrica de Lares e à subestação de Lavos, no período entre 2009 e 2025.
O presidente da Câmara defendeu que a questão não pode continuar sem esclarecimentos e que importa perceber o destino de uma verba que considera devida ao município.
«A administração do porto tem a obrigação enorme de contar a história toda»
Mas foi sobre o processo Bioadvance que Pedro Santana Lopes deixou as críticas mais contundentes, dirigindo-se diretamente à atual administração do Porto da Figueira da Foz.
«A administração do porto tem a obrigação enorme de contar a história toda», afirmou, considerando inaceitável o silêncio em torno de um processo que continua por esclarecer.
«Em democracia são inaceitáveis os silêncios», declarou o autarca, acrescentando que «aqueles que mantêm o silêncio tornam-se cúmplices».
Pedro Santana Lopes exigiu que sejam identificados os responsáveis pela instalação da Bioadvance na Figueira da Foz, questionando quem trouxe a empresa, quem decidiu a sua localização e quem autorizou a operação.
«É preciso saber quem trouxe a Bioadvance para a Figueira da Foz», insistiu, defendendo que os figueirenses têm o direito de conhecer o que efetivamente aconteceu.
O autarca referiu ainda os cerca de 30 milhões de euros envolvidos no processo e considerou que a administração portuária deve prestar esclarecimentos públicos, sublinhando: «A única coisa que todos temos de defender aqui é o interesse público da Figueira da Foz.»
Na mesma intervenção, Pedro Santana Lopes destacou o momento de investimento que a zona costeira e portuária do concelho atravessa, apontando para cerca de 50 milhões de euros de investimento do Estado nas obras em curso.
Considerou que este investimento representa um momento importante na história do concelho e defendeu a necessidade de preparar o porto para o crescimento da atividade económica, antecipando a chegada de novas empresas que pretendem utilizar esta infraestrutura para movimentar mercadorias.
«Estamos convencidos que o acréscimo vai ser muitíssimo significativo», afirmou, revelando que existem investimentos já confirmados e outros em negociação.
O presidente da Câmara acredita também nas potencialidades do porto para além da sua atividade comercial, nomeadamente na vertente turística, considerando que poderá gerar «muito valor acrescentado para a Figueira da Foz».
Porto é um ativo estratégico para a região
Também Susana Pinho, presidente da Comunidade Portuária, destacou a importância histórica da construção dos molhes, há 60 anos, considerando que esta obra criou as condições necessárias para afirmar a Figueira da Foz como porto de comércio internacional.
«O Porto é peça essencial da economia da região Centro e da economia nacional», afirmou, defendendo que o seu valor deve ser medido não apenas pelas mercadorias movimentadas, mas também pelo impacto que tem na indústria e na economia regional.
Por sua vez, Teresa Cardoso, presidente do Conselho de Administração do Porto da Figueira da Foz, sublinhou o papel da infraestrutura no desenvolvimento económico, social e territorial.
A responsável recordou que a inauguração dos molhes, em 1966, foi uma obra decisiva para garantir a estabilidade da barra e a segurança das acessibilidades marítimas, criando condições para o desenvolvimento da atividade portuária.
Teresa Cardoso reafirmou o compromisso da administração com a modernização e competitividade do porto, destacando também o potencial de crescimento no setor do turismo e a requalificação da marina.
«Continuaremos a trabalhar para um Porto da Figueira da Foz mais competitivo, ainda mais eficiente e sustentável, ao serviço da região e de Portugal», concluiu.
A celebração dos 60 anos dos molhes ficou, assim, marcada não só pela homenagem a quem construiu e mantém diariamente o Porto da Figueira da Foz, mas também pelos desafios e exigências colocados ao futuro desta infraestrutura e à sua relação com o desenvolvimento do concelho.
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