O QUE NOS LIGA é a humanidade

Talvez por vermos a cores, é a preto e branco que a fotografia mais fundo nos toca, despindo-se de distrações e focando-nos no essencial. Para a Liga dos Amigos do Hospital Distrital da Figueira da Foz (LAHDFF), a celebrar quatro anos de existência, o essencial é estar presente para quem precisa, seja com apoio material, uma palavra de esperança ou um gesto amigo, num tripé de humanidade que torna um pouco mais firme o chão pisado por quem se vê cara-a-cara com a doença, própria ou dos que ama. Não menos essencial, para a LAHDFF, é mostrar o seu trabalho, com o objetivo de atrair mais voluntários, captar mais donativos e sensibilizar a comunidade em geral para a importância de cuidar dos que estão ou são mais frágeis, numa cooperação ativa com o Serviço Nacional de Saúde.
Para conseguir curar o mal da desumanização da sociedade, num tempo em que a correria do dia-a-dia impede, muitas vezes, um olhar atento para o outro, o que precisa de apoio, a LAHDFF decidiu convidar alguns jovens artistas da área audiovisual para a elaboração de um vídeo - exibido no Encontro Nacional de Voluntariado em Saúde, e da autoria de Filipe Brás e Pedro Cardoso - e para a construção de um banco de imagens que refletisse o quotidiano das atividades da Liga, e o seu impacto na população, hospitalar e não só. Mauro Correia, convidado a fazer essa recolha fotográfica, optou por oferecer à instituição muito mais do que registos para um banco de imagens: propôs-se contar uma história que é a soma de muitas outras - as dos pacientes, as dos médicos, enfermeiros e auxiliares e, claro as dos voluntários.
O resultado surpreendeu tão positivamente a LAHDFF que a exposição «O QUE NOS LIGA», inaugurada a 18 de fevereiro e patente até 13 de março no Hall de entrada do Museu e Biblioteca municipais, se tornou uma inevitabilidade. «Foi um desafio muito enriquecedor, sobretudo para quem, como eu, nunca teve uma relação fácil com hospitais... só de entrar ficava doente», explicou Mauro Correia à margem da inauguração. «Agora já sinto o ambiente hospitalar de outra forma, e fiquei com uma excelente impressão de todos os profissionais e do trabalho que se faz no nosso hospital», acrescentou.
«Esta exposição é, fundamentalmente, a minha homenagem aos voluntários e a todos os que dão um bocadinho de si aos outros, incluindo, neste caso, as comunidades emigrantes e outras entidades e particulares que, não podendo ser voluntários com tempo, oferecem donativos que são depois canalizados pela Liga para melhorar a qualidade de vida de quem está a passar por um mau momento», disse ainda.
«É ainda a minha forma de sensibilizar as pessoas para a importância que esta forma de estar na vida, ao lado dos outros, tem, na esperança de poder cativar mais elementos para a Liga, sejam eles voluntários ou mecenas», conclui.
Sobre as 20 fotografias, escolhidas entre as muitas dezenas tiradas ao longo de três dias intensos, Mauro Correia diz que procurou registar momentos e gestos que traduzissem a esperança e, novamente, a humanidade, que encontrou num ambiente que se imaginaria asséptico também em emoções. Encontrou dor, é certo, e optou até por não fotografar certos espaços para preservar a tranquilidade dos pacientes, mas viu sobretudo força, força nos sorrisos de quem está doente e, mesmo assim, escolhe sorrir; força no toque amigo dos médicos e enfermeiros que sabem que cuidar da saúde é muito mais do cuidar dos corpos; e força nos voluntários, que decidem dar do seu tempo ou dos seus bens para levar conforto, humano ou material, a quem precisa.
A inauguração, participada por dezenas de amigos e admiradores do fotógrafo figueirense e da atividade da LAHDFF, contou, entre outras, com a presença do vereador Carlos Monteiro que, em nome da autarquia, agradeceu a escolha de um espaço municipal para a realização da exposição que retrata «o extraordinário trabalho da Liga», num conjunto de ações que, em parceria com outras entidades e naturalmente com o próprio HDFF, tem mostrado como é possível desenvolver, bem, de forma organizada e com formação, o voluntariado.
«Podemos e devemos aprender durante toda a vida, e durante toda a vida podemos ser úteis», afirmou. Na dupla qualidade de autarca e de amigo pessoal de Mauro Correia, Carlos Monteiro elogiou o trabalho, a dedicação e a sensibilidade do fotógrafo, desafiando-o a ′democratizar′ o acesso ao seu trabalho. Também Pedro Afonso, presidente do conselho de administração do HDFF, louvou «a forma bonita como a exposição retrata aquele que é o local trabalho de cerca de 600 pessoas», considerando que a existência da LAHDFF «é muito positiva, porque ganhamos todos» com o trabalho dos voluntários e amigos do HDFF.
A terminar a cerimónia de inauguração, Mauro Correia recebeu, das mãos do presidente da LAHDFF, António Guardado, um Certificado de Agente Solidário, atestando, de forma personalizada, o reconhecimento pelo trabalho realizado e oferecido pelo fotógrafo figueirense, que promete continuar a revelar tudo «O Que Nos Liga».
A exposição pode ser vista, com entrada livre, até 13 de março.

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